Recuperação do açúcar e do etanol pode impulsionar negócios entre usinas
Preços mais elevados das commodities e ativos industriais negociados abaixo da média histórica podem abrir oportunidades para fusões, aquisições e reorganização de operações no setor sucroenergético.

O mercado brasileiro de açúcar e etanol apresenta um cenário de contrastes. Enquanto os preços das commodities se recuperam e melhoram as perspectivas de rentabilidade das usinas, o valor dos ativos industriais permanece abaixo da média histórica, criando oportunidades para novas operações de fusões e aquisições no setor.
Segundo relatório do BTG Pactual, as últimas cinco aquisições do segmento sucroenergético foram negociadas, em média, a US$ 54 por tonelada de capacidade de moagem, valor aproximadamente 25% inferior à média histórica de US$ 72 por tonelada.
De acordo com os analistas do banco, essa diferença reflete um período prolongado de pressão sobre a rentabilidade das usinas, além das mudanças na dinâmica competitiva do mercado, especialmente com a expansão da produção de etanol de milho.
Valorização das commodities favorece negociações
O cenário recente combina a recuperação dos preços do açúcar e do etanol com avaliações de ativos que ainda não acompanharam integralmente essa valorização.
No início de 2026, o açúcar oscilava entre 13 e 16 centavos de dólar por libra-peso. Posteriormente, passou a ser negociado entre 20 e 21 centavos, acima dos cerca de 17 centavos considerados pelo BTG Pactual como um nível mais próximo do equilíbrio de mercado.
O etanol também apresenta valorização, sustentada, entre outros fatores, pelos estoques reduzidos na região Centro-Sul, principal polo produtor de cana-de-açúcar e etanol do país.
Segundo a análise do banco, esse contexto pode favorecer empresas interessadas em vender ativos, reorganizar seus portfólios ou ampliar suas operações por meio de aquisições.
Etanol de milho amplia a concorrência
Apesar da recuperação dos preços, o setor continua enfrentando desafios estruturais. A expansão do etanol de milho tem alterado a dinâmica competitiva do mercado brasileiro de biocombustíveis, aumentando a oferta e pressionando as perspectivas de rentabilidade de longo prazo das usinas de cana-de-açúcar.
O Brasil produz aproximadamente 37,5 bilhões de litros de etanol por safra. Desse total, entre 11 bilhões e 11,4 bilhões de litros são provenientes do milho, enquanto cerca de 26 bilhões de litros têm origem na cana-de-açúcar, conforme os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citados na reportagem.
Essa transformação ajuda a explicar por que os ativos industriais continuam sendo negociados abaixo da média histórica, mesmo diante de condições mais favoráveis para os preços das commodities.
Movimentações indicam reorganização de ativos
Um exemplo recente é a estratégia da Adecoagro, que vendeu a usina Monte Alegre, em Minas Gerais, com capacidade para processar 1,2 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por ano, e, anteriormente, concluiu a aquisição da usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul.
Para o BTG Pactual, essas movimentações indicam uma estratégia de reorganização geográfica das operações, com potencial para ganhos de eficiência e sinergias operacionais.
O banco estima que a usina Monte Alegre poderia ter um valor entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões, considerando os múltiplos médios de transações recentes. O valor efetivo da venda, entretanto, não foi divulgado.
Perspectivas para o mercado
A valorização atual do açúcar pode não se manter nos mesmos níveis no longo prazo. O BTG Pactual projeta uma redução das restrições de oferta no mercado internacional a partir do segundo trimestre de 2027, com a entrada da nova safra brasileira, o que poderia levar os preços gradualmente para próximo de 17 centavos de dólar por libra-peso.
Nesse contexto, as decisões de investimento e negociação de ativos dependem não apenas dos preços atuais, mas também da competitividade das operações, das perspectivas de oferta e da capacidade de geração de resultados ao longo dos próximos ciclos.
A combinação entre a recuperação das commodities, a expansão do etanol de milho e a busca por eficiência operacional mantém as fusões, aquisições e reorganizações produtivas entre os movimentos relevantes para acompanhar no setor sucroenergético.
Fonte: https://www.novacana.com/




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