Excesso de chuvas prejudica qualidade da cana e atrasa fim da safra em São Paulo
Precipitações acima da média reduzem o teor de açúcar da cana-de-açúcar, prolongam a moagem e podem deixar mais de 35 milhões de toneladas da matéria-prima para a próxima safra.

O excesso de chuvas registrado no início da primavera tem impactado a qualidade da cana-de-açúcar e alterado o planejamento da safra 2026/27 na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Em setembro, o município registrou 100 milímetros de precipitação, volume 44% superior à média histórica para o mês.
As condições climáticas têm dificultado as operações de colheita e reduzido a concentração de açúcar na cana madura. O cenário afeta tanto o rendimento agrícola quanto o processamento industrial, exigindo ajustes na logística de transporte e no cronograma das usinas.
Chuvas afetam a qualidade da matéria-prima
A ocorrência de chuvas durante o período de colheita interfere no desenvolvimento da cana que já atingiu o ponto de corte. Com a disponibilidade elevada de água, a planta pode retomar o crescimento vegetativo e consumir parte da sacarose armazenada nos colmos, reduzindo o teor de açúcar recuperável.
Esse processo afeta diretamente o Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador utilizado para determinar o valor da cana entregue às usinas. Com menor concentração de açúcar, os produtores podem receber menos pela matéria-prima, enquanto as indústrias enfrentam dificuldades para manter o rendimento na fabricação de açúcar e etanol.
O excesso de umidade também aumenta a presença de água e impurezas na matéria-prima, podendo elevar os custos operacionais e comprometer a eficiência do processamento industrial.
Colheita é prorrogada e moagem sofre alterações
Além dos impactos sobre a qualidade da cana, as chuvas dificultam o acesso às áreas de cultivo e podem provocar danos ao solo quando as operações são realizadas em condições inadequadas de umidade.
Diante desse cenário, usinas da região de Ribeirão Preto revisaram o planejamento da safra. A previsão inicial de encerramento da moagem no fim de novembro foi adiada para o início de dezembro, representando uma extensão de aproximadamente 15 dias.
Para reduzir os impactos sobre a operação industrial, algumas unidades adotaram estratégias de alternância no transporte da cana entre áreas com diferentes condições de acesso.
Mais de 35 milhões de toneladas podem ficar para a próxima safra
Segundo levantamento da consultoria Datagro citado na reportagem original, as chuvas no Centro-Sul do Brasil podem deixar mais de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no campo para processamento na próxima safra.
O volume poderá superar o recorde anterior, de 24 milhões de toneladas, registrado na safra 2015/16.
A mudança no calendário de colheita pode influenciar a disponibilidade de matéria-prima, o planejamento industrial e a dinâmica de oferta de açúcar e etanol. Embora a menor oferta imediata possa pressionar os preços desses produtos, o volume remanescente também deverá ser considerado no planejamento do ciclo seguinte.
O cenário reforça a importância do acompanhamento das condições climáticas e do planejamento integrado entre campo, logística e indústria para reduzir perdas e preservar a eficiência das operações no setor sucroenergético.
Fonte: NovaCana.




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