Governo cancela reunião sobre aumento da mistura nos combustíveis
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- há 22 horas
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O MME (Ministério de Minas e Energia) cancelou a reunião do Conselho Nacional de Política Energética que discutiria o aumento da mistura obrigatória do etanol na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32). O encontro do colegiado presidido pelo ministro Alexandre Silveira seria inicialmente em 7 de maio e havia sido adiado para esta 2ª feira (11.mai.2026). Ainda não há nova data.
A deliberação era o 1º item da pauta da reunião. Segundo apurou o Poder360, o avanço da análise das novas misturas depende de Silveira. A reportagem questionou o ministério sobre o motivo do cancelamento. Não houve retorno até a publicação deste texto.
Declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentaram a expectativa do setor de biocombustíveis sobre a mudança. Em 30 de abril, o petista disse que o governo estava prestes a anunciar a ampliação das misturas obrigatórias. Citou o avanço para o E32 e a elevação do teor do biodiesel no diesel de 15% (B15) para 16% (B16).
Os testes necessários para comprovar a viabilidade técnica do E32 já estão adiantados, o que permite a deliberação do CNPE. No caso do B16, os estudos devem começar ainda em maio e vão durar no mínimo 6 meses. A expectativa do governo é anunciar a mudança até o fim do ano.
O avanço das misturas está previsto na Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024. O texto determina que a ampliação seja gradual, desde que haja viabilidade técnica. Conforme o cronograma da legislação, o avanço para o B16 deveria ter sido em março, mas foi adiado.
IMPACTO DA GUERRA O debate sobre o aumento da mistura ganha força em um momento de alta dos combustíveis fósseis. A elevação do preço segue refletindo o avanço do preço do barril de petróleo Brent, pressionado pelo conflito de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que entrou em seu 3º mês em maio.
A FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel), que pressiona para o avanço ao B16, afirma que a alta dos combustíveis convencionais é a janela ideal para o governo elevar as misturas obrigatórias. Segundo a frente, o movimento fortaleceria a competitividade da produção nacional de biocombustíveis e ajudaria a conter preços e importações, reduzindo a dependência externa.
A avaliação é de que o alto volume da subvenção ao diesel anunciada pelo governo não seria necessário, já que o aumento da mistura faria com que o setor precisasse importar menos combustível convencional e a indústria interna de biodiesel é capaz de suprir a demanda.
A FPBio defende ainda não ser necessário realizar a fase de testes para o B16, já que países como EUA e Indonésia já utilizam misturas mais avançadas com segurança. A legislação prevê comprovação da “viabilidade técnica” das misturas, mas não fala especificamente em “testes”, segundo entendimento da instituição.






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