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Distribuidora aumentará preço da gasolina no Brasil nesta quarta devido à crise no Oriente Médio


Fonte: Canva
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Os efeitos da crise no Oriente Médio estão prestes a chegar ao bolso dos brasileiros. Nesta semana, pelo menos uma distribuidora confirmou que aumentará o preço dos combustíveis aos revendedores. Em comunicado interno obtido pela reportagem, a Ipiranga afirma que “devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços internacionais do petróleo e derivados, haverá reajuste nos valores do diesel e gasolina a partir de 4 de março”.


Procurada pela reportagem, a distribuidora ressaltou que o preço final pago pelos motoristas é definido pelos postos. "Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhada às práticas do setor", disse, em nota.


Ela também sublinhou que o valor dos combustíveis é influenciado diretamente por fatores externos. Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil, por exemplo, é importado. Procurada pela reportagem, outra das principais distribuidoras do país, a Vibra, disse que não comenta reajustes de preço. A reportagem também demandou a Raízen e aguarda retorno.

Já a Petrobras não admite aumentos, por ora. Em nota, ela enfatizou sua política de não repassar a volatilidade do mercado externo ao consumidor. “Considerando as nossas melhores condições de refino e logística, proporcionamos períodos de estabilidade de preços para os nossos clientes evitando a prática de reajustes diários, para cima e para baixo, adotada no passado. Essa prática é especialmente importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora”, disse o texto.


A crise no Irã afeta o preço da gasolina porque o país controla o estreito de Ormuz, por onde passam entre 20% e 30% de todo o petróleo comercializado no mundo. A Guarda Revolucionária do Irã afirma ter o domínio total do estreito, mas o governo dos EUA diz que navios da Marinha norte-americana podem escoltar petroleiros na região e desafiar os iranianos.

Em meio ao embate, disparo no fim de semana pelos EUA e por Israel, o preço do barril do petróleo disparou. Na terça-feira (3/3), ele havia aumentado 13,1%. Com isso, a defasagem do preço praticado pela Petrobras e o internacional chegou a R$ 0,29 por litro, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

A empresa de gestão de frotas e meios de pagamento ValeCard traça um cenário ainda mais agudo para o diesel. Caso a escalada do petróleo prossiga, e o barril chegue aos US$ 100, com um dólar entre R$ 5 e R$ 5,50, o impacto de um repasse integral da alta ao consumidor poderia variar entre R$ 0,40 e R$ 0,70 por litro. O preço do barril passa de R$ 80, atualmente.  


O valor médio da gasolina em Belo Horizonte até a última semana era R$ 5,91, e o do diesel, R$ 5,90, de acordo com a pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Impactos além dos postos

A repercussão do aumento dos combustíveis vai além dos postos de combustíveis e preocupa o agronegócio mineiro. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg Senar) publicou, nesta quarta-feira, uma nota de alerta sobre a alta de custos que isso pode representar no campo e, consequentemente, na produção de alimentos no estado.

O petróleo impacta o preço do diesel, utilizado no maquinário agrícola. Os fertilizantes utilizados no campo também são impactados, já que grande parte das importações passam pelo estreito de Ormuz. “Com forte diversidade produtiva, como café, leite, grãos, frutas e proteína animal, Minas Gerais pode sentir os efeitos no aumento dos custos de produção e na compressão das margens. A incerteza também impacta o planejamento da próxima safra”, disse nota da associação.  


 
 
 

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