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Brasil está a caminho de um aumento na produção de etanol em 2026, dizem especialistas


Foto: Canva
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Preços firmes do etanol, expansão das usinas do biocombustível de milho e um crescimento da safra de cana-de-açúcar levarão a um salto na produção do renovável neste ano no Brasil, o segundo maior produtor mundial do combustível, disseram analistas e comerciantes de commodities nesta terça-feira, 3.

Eles afirmaram durante um painel na Conferência do Açúcar de Dubai que o aumento da produção será devido à combinação da mudança no mix de produção das usinas de cana para a fabricação de mais etanol e menos açúcar e à entrada em operação de novas usinas de processamento de milho.

As usinas de cana, que têm flexibilidade para produzir mais açúcar ou mais etanol, estão lidando com os baixos preços globais do açúcar, com o contrato de açúcar bruto em Nova York oscilando em torno da menor cotação em cinco anos. “Há um incentivo claro para as usinas começarem a nova safra produzindo mais etanol”, disse o diretor da consultoria Datagro, Guilherme Nastari.

Os preços atuais do etanol no Brasil, disse ele, estão sendo negociados com grandes prêmios em relação ao preço do açúcar em Nova York, com o etanol anidro a um valor equivalente de 19,73 centavos por libra-peso e o etanol hidratado a 17,96 centavos de dólar libra-peso, enquanto o açúcar bruto ICE fechou na terça-feira a 14,63 centavos de dólar por libra-peso.

A nova safra de cana-de-açúcar brasileira começa por volta de março. “A paridade inicial de preços (açúcar e etanol) é muito favorável ao etanol”, disse o diretor geral da Sucden no Brasil, Jeremy Austin.

A consultoria de açúcar e etanol CovrigAnalytics acredita que as usinas vão se concentrar no etanol até pelo menos meados de junho.

Já a BP Bioenergy, divisão brasileira de açúcar e etanol da BP que administra 11 usinas, planejará seu mix de produção ao longo do ano, observando os preços, disse o diretor comercial da divisão, Ricardo Carvalho.

Por sua vez, o Rabobank projeta que mais de 3 bilhões de litros de capacidade adicional de etanol de milho entrarão em operação em 2026.

Além disso, a corretora norte-americana StoneX estima que a produção combinada de etanol de cana e milho do Brasil crescerá 7,9% em 2026/27 (abril a março) para um recorde de 36,5 bilhões de litros, com o etanol de cana subindo 4,4% e o de milho, 17%.

A produção extra de etanol pode ser excessiva para o mercado local brasileiro, disse Carvalho, da BP. E isso pode levar a um aumento nas exportações, observou a CovrigAnalytics.


 
 
 

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