Avanço da geração distribuída pode fazer ONS perder controle da rede, diz diretor da Aneel
- Ecoflex Trading
- 17 de set. de 2025
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O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, fez um alerta na tarde desta terça-feira, 16, sobre o crescimento acelerado na geração distribuída e o impacto para o Sistema Interligado Nacional (SNI). Ele explicou que, na prática, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estaria “perdendo o controle da rede”.
A geração distribuída (GD) é a modalidade que permite a geração de energia elétrica no local ou próximo ao ponto de consumo. Os empreendimentos, nessa classificação, não são geridos diretamente pelo ONS. “O problema não é a GD, o problema é o crescimento (acelerado) e a falta de mecanismos de controle por parte do Operador Nacional”, disse em conversa com jornalistas.
Ele mencionou que 37% de toda a carga do Sistema Interligado, no último dia dos pais, foi atendida por geração distribuída. Sob o ponto de vista técnico, isso mostra um problema estrutural. O Operador precisa fazer o controle de frequência e tensão. Ou seja, precisa de fontes flexíveis para atender as variações constantes de demanda. A GD, dominada pela fonte solar, não apresenta esse critério de flexibilidade operativa. Depende do sol, em última instância.
“Essa quantidade toda de geração distribuída é abundante, é barata, mas ela não está associada ao controle de frequência do ONS, que precisa fazer isso por meio de usinas hidrelétricas e também usinas termoelétricas”, avaliou o diretor-geral.
Na próxima sexta-feira será realizada uma reunião com representantes das distribuidoras sobre as ações emergenciais “para segurança do suprimento no Sistema Interligado Nacional decorrente dos impactos do elevado” no crescimento da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), como mostrou o Estadão/Broadcast.
Serão verificadas medidas paliativas, já que mudanças estruturais dependem também de ações no Legislativo. Sandoval Feitosa explica que há um conjunto de usinas que são chamadas de geração distribuída apenas por serem menores e localizadas ao longo do sistema elétrico, mas sem controle pelo ONS. Elas estão conectadas direto na distribuidora.
Atualmente a distribuidora já pode cortar a geração desse grupo de usinas especificamente, mas apenas em condições de emergência. “Não queremos que chegue lá (emergência). Precisamos fazer exatamente a modulação dessa geração”, afirmou Feitosa.
Em geral, os empreendimentos na geração distribuída, por não serem geridos diretamente pelo ONS, também não são afetados pelos cortes de geração (ou curtailment, no jargão do setor).
Ou seja, a interrupção forçada na geração elétrica acaba afetando ainda mais os outros empreendimentos não classificados na geração distribuída. Parte do setor elétrico defende que a GD precisa entrar na discussão como parte do problema do corte de geração.
“Se nada for feito e se nós tivermos daqui em dois meses esse mesmo crescimento de geração distribuída, pode ser que o operador não tenha margem para fazer o controle da rede”, declarou Sandoval Feitosa.
A discussão também pode envolver a chamada Geração Distribuída 3 (GD3), empreendimentos de geração de energia que solicitaram acesso à rede após 7 de janeiro de 2023.
No início do mês, a primeira revisão da agenda para o biênio de 2025-2026 acrescentou como atividade regulatória a definição de requisitos de “observabilidade, operabilidade e controlabilidade” de Recursos Energéticos Distribuídos (RED).





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