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O desafio da biomassa para o etanol de milho

há 8 horas
4 min de leitura

A rápida expansão da indústria de etanol de milho está criando uma nova preocupação estratégica: a capacidade de garantir biomassa suficiente para abastecer as usinas de forma sustentável ao longo da próxima década.

Fonte: Canva
Fonte: Canva

Atualmente, parcela relevante da biomassa utilizada ainda tem origem em áreas de supressão vegetal autorizada, mas as restrições regulatórias e ambientais tornam cada vez mais necessária a formação de florestas energéticas plantadas.


O JornalCana apresenta, a seguir, destaques do Radar Agro do Itaú BBA sobre o tema:


  • A competição por madeira de reflorestamento tende a aumentar significativamente nos próximos anos, elevando a importância de contratos de longo prazo e de investimentos antecipados em florestas próprias.


  • As estimativas do Itaú BBA indicam que a capacidade instalada de etanol de milho no Brasil poderá avançar de 10,9 bilhões para 25,3 bilhões de litros entre 2025 e 2030, ampliando proporcionalmente a necessidade de biomassa.


  • Em um cenário de eficiência média, a capacidade projetada de 13 bilhões de litros de etanol de milho no Brasil até o final de 2026 demandaria cerca de 35 milhões de m³ de biomassa de eucalipto para o abastecimento energético das usinas. Para sustentar esse consumo de forma contínua e sustentável, seria necessário um estoque florestal atual próximo de 440 mil hectares de eucalipto plantado, com colheita anual estimada em cerca de 63 mil hectares.


  • Em Mato Grosso, considerando uma capacidade de produção de 8 bilhões de litros de etanol, a demanda potencial de biomassa equivaleria a aproximadamente 259 mil hectares de eucalipto em produção. Com a expansão prevista da indústria mato-grossense para 12 bilhões de litros de etanol até 2030, consumindo cerca de 27 milhões de toneladas de milho, a necessidade florestal pode alcançar 383 mil hectares plantados.


  • Nesse cenário, Mato Grosso exigiria uma área de corte anual próxima de 55 mil hectares de eucalipto, evidenciando a necessidade de acelerar os investimentos em novas florestas energéticas.


  • No agregado nacional, a capacidade de produção de etanol de milho poderá atingir 25,3 bilhões de litros até 2030, demandando aproximadamente 57 milhões de toneladas de milho, supondo plena utilização da capacidade e ampliando significativamente a demanda por biomassa. Caso o eucalipto fosse a única fonte de suprimento energético das plantas, a indústria demandaria cerca de 816 mil hectares de florestas plantadas em todo o país para sustentar a expansão projetada do setor.


  • Os números reforçam que a disponibilidade de biomassa pode se tornar um dos principais desafios para a continuidade da expansão do etanol de milho, especialmente em regiões de forte crescimento industrial, como Mato Grosso. O estado reúne condições favoráveis para a expansão florestal, combinando disponibilidade de terras, regime de chuvas adequado e proximidade com os principais polos consumidores de biomassa.


  • Mais do que garantir energia para as usinas, a expansão da base florestal poderá ser decisiva para fortalecer as credenciais de sustentabilidade do etanol de milho brasileiro e ampliar o acesso a mercados de baixo carbono. O cultivo de eucalipto para biomassa pode representar uma alternativa economicamente atrativa para áreas de menor aptidão agrícola e para produtores que buscam diversificar suas fontes de renda.


  • Considerando dois cortes ao longo de 13 anos, o projeto analisado apresenta receita acumulada de aproximadamente R$ 104 mil por hectare e lucro total próximo de R$ 54 mil por hectare. Nas premissas adotadas, o retorno médio do investimento equivale a cerca de R$ 4,2 mil por hectare ao ano, indicando potencial relevante de geração de caixa no longo prazo.


  • Convertido para uma métrica mais familiar ao produtor rural, esse resultado corresponde a cerca de 30 sacas de soja por hectare por ano, considerando o preço de referência utilizado no estudo. Em termos econômicos, o retorno anualizado do eucalipto seria semelhante ao de uma lavoura de soja, deixando ao produtor aproximadamente 30 sacas por hectare, porém com menor intensidade operacional ao longo do ciclo produtivo.


  • Sob o cenário-base do estudo, Mato Grosso demandaria aproximadamente 383 mil hectares de eucalipto plantado em 2028 para atender à necessidade de biomassa associada à produção projetada de etanol de milho.


  • Considerando a área atualmente estimada em 165 mil hectares, o estado apresenta um déficit potencial próximo de 218 mil hectares de novas florestas energéticas. Os números evidenciam que a expansão da oferta de biomassa poderá se tornar um dos principais desafios para sustentar o crescimento da indústria de etanol de milho em Mato Grosso.


  • Utilizando como referência um custo de implantação e condução de R$ 35 mil por hectare ao longo de um ciclo de 13 anos, a expansão necessária exigiria investimentos da ordem de R$ 7,6 bilhões apenas no estado.


  • Em um cenário de menor eficiência operacional, a necessidade total de eucalipto poderia alcançar cerca de 572 mil hectares plantados, ampliando significativamente a demanda por capital e por novas áreas florestais.


  • Nesse cenário mais conservador, os investimentos necessários para viabilizar a expansão florestal poderiam chegar a aproximadamente R$ 14,3 bilhões, reforçando a importância de mecanismos de financiamento de longo prazo.


  • As estimativas apresentadas representam um exercício de dimensionamento da demanda potencial por biomassa, assumindo o eucalipto como principal fonte de suprimento, hipótese que simplifica uma realidade potencialmente mais diversificada.


  • Embora o eucalipto seja hoje a alternativa mais escalável para atender à demanda energética do setor, capins energéticos, palhadas agrícolas e outras biomassas cultivadas poderão ganhar espaço à medida que avancem em sua viabilidade técnica e econômica.


  • Ganhos de eficiência energética, melhorias em caldeiras e novos processos industriais também poderão reduzir a intensidade de consumo de biomassa ao longo da próxima década.


  • Diante das incertezas inerentes a projetos florestais de longo prazo, contratos com maior previsibilidade de demanda e preços tendem a ser fundamentais para reduzir riscos e estimular novos investimentos.


  • A expansão das florestas plantadas deve ser encarada não apenas como um desafio de abastecimento, mas como uma oportunidade para consolidar o etanol de milho brasileiro entre os combustíveis renováveis mais competitivos e sustentáveis do mundo.


 
 
 

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