Etanol de milho amplia espaço no Brasil e deve consumir 37,7 milhões de toneladas na safra 2026/27
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O etanol de milho segue consolidando seu protagonismo no agronegócio brasileiro. Na safra 2026/27, a produção do biocombustível deve consumir 37,7 milhões de toneladas de milho, um avanço de 36% em relação às 27,7 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior. A projeção é da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Com esse crescimento, o etanol passará a responder por cerca de 34% de todo o consumo doméstico de milho, ante aproximadamente 28% registrados na safra 2025/26. O movimento reforça o papel do segmento como um dos principais vetores da demanda interna pelo cereal.
A expansão da capacidade industrial, especialmente no Centro-Oeste, é o principal combustível desse avanço. Segundo levantamento do Itaú BBA, mais de 28 projetos entre novas usinas e ampliações de plantas estão previstos até 2030. Parte desses investimentos também contempla o processamento de matérias-primas alternativas, como o sorgo.
Na avaliação de Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a crescente participação das usinas de etanol está redesenhando a dinâmica do mercado brasileiro de milho.
"A maior presença das usinas de etanol na demanda por milho altera a dinâmica de comercialização do grão no Brasil, ampliando a disputa pelo produto entre diferentes consumidores, como produtores de biocombustível, indústria de proteína animal e tradings exportadoras", afirma.
Esse novo cenário tende a reduzir o volume disponível para exportação e aumentar a sensibilidade dos preços domésticos em momentos de menor oferta, intensificando a concorrência pelo cereal entre os diferentes segmentos consumidores.
Transição energética acelera investimentos
Além da expansão industrial, o avanço do etanol de milho é impulsionado pela crescente demanda por combustíveis renováveis. O desenvolvimento de alternativas como o diesel verde (HVO) e o combustível sustentável de aviação (SAF) fortalece as perspectivas para o setor e amplia sua relevância na matriz energética brasileira.
Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, esse movimento aproxima ainda mais os mercados agrícola e energético, tornando a gestão de riscos uma estratégia cada vez mais importante para produtores, indústrias e demais agentes da cadeia do milho.
Com novos investimentos previstos para os próximos anos, a expectativa é de que o etanol de milho continue ampliando sua participação no consumo nacional e exerça influência crescente sobre a formação dos preços, a comercialização e o destino da produção brasileira do cereal.






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