top of page

Análise de Mercado

O acompanhamento quinzenal da safra 2025/2026, com posição até 16 de dezembro de 2025, aprofunda e consolida o diagnóstico de um mercado estruturalmente mais ajustado, em linha com o comportamento recente de preços observado no Centro-Sul e no Norte-Nordeste. A moagem acumulada na região Centro-Sul atingiu 598,19 milhões de toneladas, recuo de 2,36% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando haviam sido processadas 612,67 milhões de toneladas. Na comparação com o relatório imediatamente anterior, referente à posição de 1º de dezembro, o avanço da moagem foi marginal, reforçando que o ciclo produtivo já se encontra em fase bastante avançada, com 208 unidades encerradas até meados de dezembro e outras 36 indicando fechamento na segunda quinzena, o que limita de forma relevante qualquer recomposição adicional de oferta antes do auge da entressafra. 

No balanço de produção, o etanol total acumulado soma 30,27 bilhões de litros, queda de 5,37% frente aos 31,99 bilhões registrados no mesmo intervalo do ciclo 2024/2025. Em relação à quinzena anterior, observa-se acréscimo de cerca de 740 milhões de litros, volume coerente com a produção típica de final de safra, mas insuficiente para alterar o quadro estrutural de menor disponibilidade. O etanol hidratado permanece como o principal ponto de aperto, acumulando 18,72 bilhões de litros, retração de 8,17% na comparação anual, enquanto o etanol anidro totaliza 11,55 bilhões de litros, com variação negativa bem mais contida, de apenas 0,43%. Essa assimetria segue sendo determinante para a formação de preços, sobretudo em um contexto em que o hidratado entra na entressafra com menor colchão de estoques.

A análise da primeira quinzena de dezembro reforça esse desenho. A produção quinzenal de etanol foi de 740,61 milhões de litros, praticamente estável em relação ao ano passado (-2,98%), mas com composição bastante distinta: o hidratado recuou 20,62%, para 393,59 milhões de litros, enquanto o anidro avançou 30,18%, alcançando 347,02 milhões de litros. Esse deslocamento do mix evidencia a resposta das usinas à demanda mais rígida do anidro, associada à mistura obrigatória na gasolina, e explica parte da pressão observada recentemente nas cotações do produto no mercado spot.

Do lado da demanda, os dados de vendas também ajudam a contextualizar o movimento de preços observado nas últimas semanas. Na primeira quinzena de dezembro, as vendas totais de etanol somaram 1,53 bilhão de litros, com crescimento tanto no hidratado (+8,18%) quanto no anidro (+18,03%) frente ao mesmo período da safra anterior. No acumulado da safra, entretanto, a comercialização total recua 1,64%, puxada pela queda de 5,34% no hidratado, parcialmente compensada pela alta de 5,14% no anidro. Em termos mensais, dezembro já apresenta volumes superiores aos de novembro, sinalizando retomada de consumo sazonal, especialmente de gasolina, o que se reflete diretamente na maior procura por anidro.

Na comparação entre safras, o mercado opera hoje com aproximadamente 1,7 bilhão de litros a menos de etanol total em relação ao mesmo período do ciclo anterior, sendo cerca de 1,67 bilhão de litros a menos de hidratado. Mesmo com o avanço expressivo do etanol de milho, cuja produção acumulada atingiu 6,43 bilhões de litros, crescimento de 14,49% na base anual, esse incremento não é suficiente para neutralizar a redução da produção de etanol de cana, especialmente do hidratado. O milho atua como fator de amortecimento da oferta, mas não altera o fato de que o balanço global permanece mais apertado.

Esse conjunto de indicadores dialoga diretamente com o comportamento recente do mercado físico descrito no último relatório semanal. As altas expressivas observadas no início de janeiro, tanto no Centro-Sul quanto no Nordeste, encontram respaldo claro nos números de produção e vendas: estoques mais curtos, ritmo acelerado de encerramento da safra e demanda resiliente, especialmente para o anidro. A necessidade de utilizar preços mais elevados como mecanismo de contenção do consumo, sobretudo do hidratado, torna-se evidente diante da menor margem de segurança para atravessar a entressafra.

Olhando à frente, até a entrada da próxima safra em abril de 2026, o cenário mais provável segue sendo de preços firmes e sustentados em todas as regiões. A oferta adicional até o fim do período será residual, o consumo de hidratado tende a permanecer disciplinado pela paridade desfavorável frente à gasolina, e o anidro continuará amparado por uma demanda estruturalmente rígida. Nesse contexto, o mercado deverá operar com estoques suficientes, porém ajustados, exigindo elevado grau de disciplina comercial. Qualquer acomodação prematura de preços aumentaria o risco de desequilíbrio antes da retomada da moagem, razão pela qual a sustentação observada atualmente se mostra não apenas provável, mas necessária para o equilíbrio do sistema até o início do próximo ciclo produtivo.

bottom of page