Análise de Mercado
A semana de 20 a 24 de abril consolidou, de forma mais contundente, o movimento de reprecificação do mercado de etanol no Centro-Sul, à medida que a safra 2026/27 avança e amplia de maneira progressiva a disponibilidade de produto. Conforme já sinalizado no relatório anterior, o etanol hidratado seguiu em trajetória de queda, agora atingindo um novo patamar psicológico relevante, com negociações já ocorrendo abaixo de R$ 3,00/litro EXW em unidades produtoras do estado de São Paulo.
Apesar desse ajuste mais expressivo, a liquidez permanece limitada. As negociações continuam sendo realizadas em pequenos lotes diários, refletindo a postura ainda defensiva das distribuidoras, que seguem operando com compras táticas e apostando na continuidade da pressão baixista. Esse comportamento indica que o mercado ainda não atingiu um ponto de estabilização, com os compradores buscando capturar novas oportunidades à medida que a oferta segue crescendo.
No modal CIF, especialmente na base de Paulínia, observa-se um estreitamento relevante entre os preços praticados e aqueles do FOB Ribeirão Preto. Esse alinhamento decorre, em grande medida, da maior participação de origens como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, cuja dinâmica logística — marcada por maior transit time — já antecipa um cenário de preços futuros mais baixos. Esse fator reforça a leitura de que o mercado começa a incorporar não apenas a oferta corrente, mas também as expectativas de continuidade do fluxo de produto nas semanas seguintes.
No segmento de etanol anidro, o processo de formação de preços para os contratos da safra 2026/27 segue marcado por uma negociação intensa entre produtores e distribuidoras. A chamada “queda de braços” permanece evidente, com um range bastante amplo de prêmios, variando de níveis abaixo de 10% em regiões com logística menos favorecida até cerca de 12% nas localidades mais competitivas. Na prática, o ponto de equilíbrio observado nos fechamentos já realizados converge para patamares próximos de 11% sobre o índice Esalq do hidratado em São Paulo, ajustado conforme as especificidades logísticas de cada origem.
Um fator adicional que tem influenciado esse processo é o aumento da concorrência no lado da oferta, impulsionado pela entrada e expansão de produtores de etanol de milho. Essas unidades, em geral, operam com estruturas de custo mais previsíveis e, em muitos casos, com margens mais resilientes, o que lhes confere maior flexibilidade comercial. Como resultado, observa-se um alongamento no tempo de negociação dos contratos, com maior capacidade dos produtores de ajustarem condições comerciais e disputarem participação de mercado.
O conjunto desses movimentos reforça a transição para um ambiente mais ofertado, em que a pressão sobre os preços do hidratado tende a persistir no curto prazo, especialmente enquanto a demanda se mantiver cautelosa. Ao mesmo tempo, a definição dos prêmios do anidro começa a refletir um novo equilíbrio estrutural, mais competitivo e com maior dispersão regional, indicando que a safra 2026/27 deverá operar sob condições distintas das observadas no ciclo anterior, com maior protagonismo da oferta e maior seletividade na formação de preços ao longo da cadeia.
