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Análise de Mercado

A semana de 06 a 10 de abril marcou a consolidação do início efetivo da safra 2026/27 no Centro-Sul, com reflexos diretos sobre a dinâmica de preços no mercado spot, especialmente para o etanol hidratado. Com a entrada gradual de novas unidades em operação e o consequente aumento da oferta disponível, as cotações em São Paulo passaram por um ajuste relevante, saindo de patamares próximos a R$ 3,50/litro para níveis ao redor de R$ 3,30/litro ao longo da semana. Esse movimento reflete não apenas a recomposição inicial da disponibilidade física, mas também uma mudança na percepção dos compradores, que passam a atuar com maior conforto diante da expectativa de aumento progressivo da oferta nas próximas semanas.

 

Adicionalmente, o ambiente externo contribuiu para reforçar esse viés de acomodação. O anúncio de cessar-fogo no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã trouxe alívio às cotações internacionais do petróleo, reduzindo a pressão altista sobre os combustíveis fósseis e, por consequência, enfraquecendo um dos principais vetores de sustentação recente dos preços do etanol. Esse fator, combinado ao avanço da moagem, criou condições para um ajuste mais consistente nas referências do hidratado, ainda que dentro de um intervalo controlado.

 

No mercado de etanol anidro, o foco se desloca para as negociações contratuais da safra 2026/27, especialmente em função das exigências regulatórias associadas à Resolução 67 da ANP. Nesse contexto, observa-se um desalinhamento relevante entre as expectativas de produtores e distribuidoras quanto à formação dos prêmios. Do lado da oferta, ganha força a leitura de que a possível elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, dos atuais 30% para 32% ainda no primeiro semestre, pode gerar um incremento imediato na demanda por anidro, o que tende a mitigar a pressão de queda dos prêmios, levando a um cenário mais próximo de manutenção ou de redução menos acentuada do que a esperada anteriormente.

 

Por outro lado, as distribuidoras seguem sustentando uma visão mais conservadora. A expectativa de aumento expressivo da produção total de etanol nesta safra, impulsionada tanto pela expansão do etanol de milho quanto por um maior direcionamento do mix da cana para o biocombustível — em um contexto de preços internacionais do açúcar menos atrativos — reforça o argumento de maior disponibilidade estrutural. Nesse cenário, a leitura predominante do lado comprador é de que não haveria fundamento para sustentação de prêmios mais elevados no ciclo que se inicia.

 

Esse contraponto entre oferta e demanda evidencia um momento típico de transição, em que o mercado ainda busca calibrar suas expectativas diante de variáveis novas e, em alguns casos, ainda não materializadas. No curto prazo, o avanço da safra tende a seguir pressionando pontualmente as cotações do hidratado, à medida que novos volumes chegam ao mercado. Entretanto, a possível alteração na mistura do anidro introduz um elemento de suporte adicional que pode reequilibrar a equação ao longo das próximas semanas.

 

Assim, o mercado entra na segunda quinzena de abril operando sob um novo regime de precificação, em que a recomposição da oferta começa a ganhar protagonismo, mas ainda convive com incertezas relevantes do lado da demanda regulatória e do cenário energético global. A definição dos prêmios do anidro e a velocidade de avanço da moagem serão determinantes para o direcionamento mais claro das cotações no curto e médio prazo.

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