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O mercado de etanol encerrou a semana de 08 a 12 de junho apresentando uma dinâmica diferente daquela observada ao longo de boa parte dos últimos dois meses. Após sucessivas semanas de acomodação, as cotações passaram a demonstrar maior estabilidade e até mesmo um viés moderadamente positivo em algumas praças do Centro-Sul, especialmente para o etanol hidratado. Embora os movimentos ainda tenham sido relativamente modestos, o comportamento do mercado sugere que parte dos agentes começa a questionar a intensidade da pressão baixista que vinha predominando desde o início da safra.

 

No mercado spot, a principal mudança esteve na postura dos vendedores. Com os preços já operando em patamares significativamente inferiores aos observados no início da safra, diversas usinas passaram a demonstrar menor agressividade comercial, reduzindo o volume de ofertas em determinados momentos da semana. Ao mesmo tempo, compradores que vinham atuando exclusivamente com aquisições de curtíssimo prazo passaram a encontrar um ambiente menos favorável para pressionar novas reduções. O resultado foi um mercado de comportamento misto, mas com leve predominância de ajustes positivos, sobretudo no hidratado.

 

Um dos fatores que contribuíram para essa mudança de percepção foi a retomada das discussões em torno do E32. A semana foi marcada por novas manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de integrantes da área energética do governo reforçando a intenção de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para 32%. O Ministério de Minas e Energia confirmou que a proposta deverá ser submetida ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nas próximas semanas, com expectativa de deliberação ainda neste mês.

 

Embora o mercado já venha trabalhando com essa possibilidade há vários meses, a retomada do tema em nível político trouxe novamente para o centro das discussões o potencial impacto sobre a demanda. As estimativas mais utilizadas pelo setor apontam para um incremento próximo de 1 bilhão de litros anuais de etanol anidro, além de redução relevante da necessidade de importação de gasolina pelo país.

 

É importante destacar que o impacto imediato do E32 não está necessariamente na demanda física de curto prazo, mas sim na formação de expectativas. O mercado vinha precificando uma safra bastante ofertada, impulsionada pelo maior direcionamento da cana para etanol e pela expansão contínua da produção de milho. A perspectiva de absorção adicional de parte dessa oferta através do aumento da mistura reduz parcialmente o sentimento de excedente estrutural que vinha pressionando os preços desde abril. Ainda assim, parte dos analistas segue avaliando que, mesmo com o E32, o balanço da safra continuará confortável, especialmente para o anidro.

 

No Nordeste, a situação continua bastante distinta daquela observada no Centro-Sul. A região permanece atravessando o período mais crítico da entressafra, com oferta limitada de etanol anidro e crescente dificuldade de abastecimento em algumas áreas consumidoras. A disponibilidade reduzida tem sustentado preços relativamente mais firmes para o produto, enquanto distribuidoras e bases de suprimento seguem dependentes de transferências interestaduais para complementação do abastecimento. A retomada mais consistente da safra nordestina ainda está concentrada no segundo semestre, com destaque para a Paraíba, onde o início mais robusto da moagem costuma ocorrer a partir de agosto.

 

Essa diferença regional começa a ganhar relevância justamente porque o anidro passa a ocupar posição estratégica dentro das discussões sobre o E32. Enquanto o Centro-Sul caminha para uma safra de elevada disponibilidade, parte do Nordeste ainda opera com oferta restrita, criando um cenário de mercado segmentado e com comportamentos distintos entre as regiões produtoras.

 

Para a próxima semana, o viés predominante parece ser de estabilidade a levemente positivo para o etanol hidratado no Centro-Sul. A desaceleração da pressão vendedora observada nos últimos dias, combinada com a expectativa crescente em torno da aprovação do E32, tende a oferecer algum suporte psicológico às cotações. No caso do anidro, a perspectiva é de maior firmeza relativa, tanto pela discussão regulatória quanto pela menor disponibilidade observada em algumas regiões consumidoras.

 

Ainda assim, o mercado continuará acompanhando de perto o ritmo da moagem e os números de produção da safra 2026/27. Caso a expansão da oferta continue ocorrendo em velocidade superior à capacidade de absorção da demanda, os movimentos de recuperação tendem a encontrar limites naturais. Por outro lado, uma eventual confirmação do E32 nas próximas semanas poderá representar o primeiro fator estrutural de sustentação dos preços desde o início desta safra, alterando parcialmente a percepção de excesso de oferta que dominou o mercado ao longo dos meses de abril e maio.

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