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A semana de 08 a 11 de setembro manteve o viés altista do mercado de etanol, especialmente no Centro-Sul, mas passou a incorporar também um importante componente tributário. Em Paulínia, o hidratado avançou de R$ 2.538,50/m³ no dia 8 para R$ 2.543,50/m³ no dia 9, acumulando alta de 2,95% no mês antes da mudança fiscal. No dia 10, com a entrada em vigor da desoneração de PIS/Cofins, a referência passou a R$ 2.735,50/m³, salto de R$ 192/m³ que deve ser lido com cautela: praticamente coincide com os R$ 192,20/m³ anteriormente recolhidos de PIS/Cofins e, portanto, reflete também a mudança de base tributária, e não apenas uma valorização física dessa magnitude. O decreto zerou temporariamente as contribuições sobre o hidratado entre 10 de setembro e 9 de outubro.

 

No mercado físico, entretanto, a firmeza permanece real. Anidro e hidratado continuaram apresentando reajustes positivos, com oferta de anidro ainda bastante restrita no Centro-Sul e produtores pouco dispostos a flexibilizar preços. A demanda também oferece suporte: o consumo brasileiro de hidratado atingiu 1,92 bilhão de litros em julho, recorde para o mês, 12,5% acima de julho de 2025 e 4,8% superior a junho. A participação do produto no ciclo Otto chegou a 24,4%, reforçando que a recuperação de preços ocorrida desde agosto foi acompanhada por absorção efetiva pelo mercado consumidor.

 

A desoneração, contudo, gerou forte controvérsia comercial nos negócios já fechados antes de 10 de setembro e com faturamento posterior. O ponto fiscal é objetivo — a partir dessa data as alíquotas de PIS/Cofins do hidratado foram zeradas —, mas a forma de refletir os R$ 192,20/m³ nos contratos anteriores passou a ser discutida entre usinas e distribuidoras. Parte das distribuidoras defendeu o abatimento antes da incidência do ICMS; algumas usinas entenderam que a retirada deveria ocorrer após o ICMS; e houve produtores sustentando a manutenção integral do preço anteriormente negociado. Assim, o tema deixou de ser apenas tributário e passou a afetar diretamente a formação do preço líquido, margens e liquidação dos contratos.

 

Pelo lado da oferta, as estimativas para a segunda quinzena de agosto ajudam a explicar por que o mercado de etanol permanece sustentado. Pesquisa da Platts com analistas projeta moagem de 51 milhões de toneladas, alta de 1,5% no ano, mas produção de açúcar 6,1% menor, em 3,65 milhões de toneladas. O mix destinado ao etanol é estimado em 48,5%, com produção total de cerca de 2,60 bilhões de litros, avanço de 7%. O hidratado deve crescer 8,9%, para 1,33 bilhão de litros, enquanto o anidro é projetado em queda de 2,6%, para 779 milhões de litros. Mesmo com o açúcar ainda remunerando acima do equivalente do hidratado, a menor alocação prevista ao adoçante mostra que o etanol continua competitivo dentro do mix industrial.

 

Essa leitura é especialmente relevante para o anidro. A combinação entre menor produção projetada, oferta spot restrita e maior demanda estrutural decorrente do E32 mantém o produto em situação mais ajustada do que o hidratado. Ao mesmo tempo, a qualidade da cana também pode limitar ganhos de produção: o ATR esperado para a segunda metade de agosto é de 145,4 kg/t, abaixo dos 149,49 kg/t do ciclo anterior. Assim, mesmo com moagem ligeiramente maior, o balanço não aponta para uma recomposição rápida da disponibilidade de anidro.

 

Para a próxima semana, o viés segue positivo, mas a leitura dos indicadores exigirá maior cuidado por causa da mudança tributária. No hidratado, parte do movimento nominal deverá ser separada do efeito da desoneração para avaliar a verdadeira trajetória de mercado. A demanda recorde, a firmeza das usinas e a preservação da competitividade frente à gasolina continuam oferecendo suporte. No anidro, a restrição de oferta e o E32 mantêm fundamentos ainda mais sólidos. O principal ponto de atenção será a velocidade dos repasses ao varejo e a forma como o mercado absorverá a nova referência líquida após a retirada do PIS/Cofins.

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