Análise de Mercado

21 de fevereiro de 2020
Visão geral 

 

Mercado pré-carnaval transitou no inalterado ao longo de praticamente toda a semana, com cotações buscando consolidação a R$ 2,60/litro EX-WORKS para o hidratado na região de Ribeirão Preto, porém sem encontrar força para romper.  Na prática os fechamentos acima de R$ 2,58/R$ 2,59 não foram vistos, já que alguns fatores acabaram segurando a escalada, como por exemplo a queda na atividade econômica mundial por conta do Coronavírus, deixando o petróleo com cotações internacionais em níveis confortáveis para a Petrobras, que numa eventual continuidade da greve dos petroleiros, acionaria compra de produto importado.

Na quarta-feira os Produtores mantiveram as pedidas iniciais no nível de R$ 2,60 em São Paulo, acreditando que a greve dos petroleiros, uma possível paralização dos caminhoneiros, além do abastecimento das Distribuidoras para o Carnaval, pudessem dar sustentação com viés de alta.   Complementando esta tendência, na tarde da quarta-feira a Petrobras anunciou aumento no preço da gasolina nas refinarias de 3% com validade a partir do dia seguinte, o que fez com que na quinta-feira as cotações do hidratado voltassem a indicar viés de alta.

A partir da quinta-feira algumas Usinas já abriram com pedidas entre R$ 10 a R$ 20/m³ acima do dia anterior (até R$ 2,65/litro pudemos verificar), porém os fechamentos ainda mantiveram-se até R$ 2,59/litro em Ribeirão Preto.  Um dado importante sobre o consumo divulgado pela ANP: somente em 3 estados (com movimentação considerável em volume) o hidratado está mais competitivo do que a gasolina, sendo eles São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

 

Aguarda-se mais um relatório parcial da UNICA com os dados da primeira quinzena de Fevereiro, mostrando o comportamento das saídas, para então termos novas informações quanto estoque x vendas que possam alterar os rumos do mercado.  Por ora somente especulações de parte a parte, principalmente em relação à possibilidade de antecipação da moagem para Março em alguns estados do Centro-Sul.  Produtores acreditam não ser uma realidade de fato, a depender de fatores climáticos (se as chuvas permitiram que as máquinas entrem no campo); Distribuidoras apostam que haverão Usinas e Destilarias dispostas a sacrificar a produtividade mesmo com as chuvas, em busca das ainda capturar os preços remuneradores.

 

E para fechamento seguem os dados divulgados pela ANP no último dia 18, sintetizando as vendas de combustíveis em 2019: o hidratado subiu de 19,398 bilhões de litros em 2018, para 22,544 bilhões de litros em 2019, uma elevação de 16,2%. O crescimento foi motivado, em grande parte, pelo ganho de competitividade em relação à gasolina C nos estados com maior consumo e produção de etanol. A gasolina C, por sua vez, teve ligeira redução de 0,56% em relação a 2018, passando de 38,377 bilhões de litros para 38,163 bilhões de litros. O etanol anidro (misturado à gasolina) acompanhou a ligeira queda no desempenho verificado na gasolina (0,56%). O etanol total (soma de anidro e hidratado) teve aumento de 10,38% em 2019 frente a 2018, de 29,760 bilhões de litros para 32,848 bilhões de litros (extraído do Portal da ANP).