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No mercado spot do Centro-Sul, o etanol hidratado voltou a apresentar viés de baixa ao longo da semana. Na região de Ribeirão Preto, as cotações oscilaram de aproximadamente R$ 2.820/m³ para R$ 2.780/m³, refletindo a retomada da pressão vendedora em um ambiente de maior disponibilidade de produto e de compras ainda realizadas de forma bastante cautelosa pelas distribuidoras. A pequena recuperação observada no meio da semana não foi suficiente para alterar a tendência predominante, evidenciando que o mercado ainda encontra dificuldade para sustentar movimentos consistentes de valorização em meio ao avanço da safra 2026/27.

 

Apesar desse ajuste nas cotações, os indicadores de consumo seguem apresentando sinais construtivos para o ciclo Otto. Dados divulgados pela ANP referentes ao mês de maio mostram crescimento de 1,2% tanto nas vendas de gasolina C quanto de etanol hidratado em relação a abril, indicando manutenção do nível de atividade do mercado de combustíveis leves. Embora o aumento tenha sido moderado, ele confirma que a demanda permanece resiliente mesmo diante das oscilações de preços observadas nas últimas semanas.

 

Outro aspecto relevante é que a competitividade do etanol hidratado continua elevada em grande parte do território nacional. A combinação entre preços mais baixos do biocombustível e a manutenção da paridade favorável frente à gasolina sustenta a participação do renovável na matriz de combustíveis leves, ainda que parte desse potencial não esteja sendo plenamente convertido em aumento proporcional do consumo. Esse comportamento sugere que fatores macroeconômicos e o próprio perfil de abastecimento dos consumidores continuam limitando uma expansão mais acelerada da demanda, mesmo em um ambiente de preços relativamente atrativos.

 

Os dados consolidados da ANP para maio também reforçam que o mercado brasileiro segue operando com elevado volume de comercialização de combustíveis automotivos, mantendo trajetória consistente ao longo de 2026. A atualização estatística publicada no final de junho evidencia estabilidade no consumo de derivados e biocombustíveis, confirmando que, até o momento, não há sinais de retração relevante da demanda que justifiquem movimentos mais intensos de queda exclusivamente pelo lado do consumo.

 

No segmento do etanol anidro, o mercado permaneceu relativamente equilibrado. A oferta spot continua mais restrita do que a observada para o hidratado, consequência da priorização do atendimento dos contratos vigentes pelas unidades produtoras. Ao mesmo tempo, o setor permanece acompanhando a expectativa de definição sobre a implementação do E32, cuja eventual aprovação representa o principal fator estrutural de suporte para a demanda futura de anidro e poderá alterar significativamente o balanço de oferta e demanda ao longo do segundo semestre.

 

Para a próxima semana, o mercado deverá permanecer sensível à evolução diária das negociações no Centro-Sul. Enquanto o hidratado tende a continuar pressionado pelo ritmo de moagem e pela oferta sazonal crescente, a demanda permanece suficientemente sólida para limitar movimentos mais acentuados de baixa. Caso o mercado volte a precificar uma definição mais próxima sobre o E32 ou ocorram novas alterações relevantes no mercado de combustíveis fósseis, não se pode descartar uma estabilização das cotações, sobretudo para o etanol anidro, cujo fundamento permanece estruturalmente mais firme do que o observado para o hidratado.

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