
A semana de 05 a 09 de outubro marcou nova inflexão altista no mercado de etanol hidratado, revertendo a acomodação observada no final de setembro. Em Paulínia, o indicador diário Cepea/Esalq avançou de R$ 2.685,50/m³ para R$ 2.760,50/m³ entre os dias 5 e 8, alta de aproximadamente 2,8% em apenas quatro pregões, todos positivos. No mês, a valorização já alcança 4,47%, após setembro ter encerrado com ganho de 6,96%. A sequência indica retomada efetiva da pressão compradora e maior firmeza das usinas, em um ambiente no qual restrições de oferta e menor flexibilidade dos vendedores voltaram a dominar a formação de preços.
O anidro permanece ainda mais ajustado. A disponibilidade spot continua bastante limitada no Centro-Sul e ofertas pontuais já alcançam R$ 3,40/litro PVU, patamar superior inclusive ao observado em algumas praças do Nordeste. A situação reflete a combinação entre o aumento estrutural da demanda decorrente do E32, menor volume livre para comercialização imediata e priorização do atendimento contratual. Embora os dados acumulados da UNICA até 1º de agosto mostrem produção de anidro 17,25% superior à safra anterior, para 5,92 bilhões de litros, o crescimento da produção não se traduz necessariamente em disponibilidade spot, sobretudo diante da maior necessidade de produto para formulação da gasolina.
Os números da UNICA ajudam também a dimensionar o balanço do hidratado. Até 1º de agosto, a produção total de etanol no Centro-Sul somava 16,19 bilhões de litros, alta de 16,41%, sendo 10,27 bilhões de hidratado (+15,93%). Em julho, mesmo com moagem 3,04% menor, a fabricação de etanol cresceu 7,91%, evidenciando maior direcionamento da matéria-prima ao biocombustível. UNICA Ao mesmo tempo, as vendas acumuladas de etanol alcançaram 12,02 bilhões de litros, com o mercado interno absorvendo 11,74 bilhões. Somente em julho, as vendas de hidratado chegaram a 1,99 bilhão de litros, dos quais 1,89 bilhão no mercado doméstico. O quadro sugere oferta estrutural elevada, mas também demanda suficientemente forte para reduzir a pressão baixista que predominou no início da safra.
Outro ponto decisivo no fechamento da semana é o término, nesta quinta-feira, da desoneração temporária de PIS/Pasep e Cofins sobre o hidratado. O Decreto nº 13.116 zerou as contribuições entre 10 de setembro e 9 de outubro, enquanto reduziu simultaneamente os tributos federais sobre a gasolina. Até o fechamento deste boletim, há expectativa de prorrogação das medidas de contenção sobre combustíveis, mas não identifiquei publicação oficial confirmando a extensão específica da alíquota zero para o etanol após 9 de outubro. O governo vinha sinalizando que decidiria sobre a continuidade dos incentivos após o primeiro turno das eleições.
Caso a desoneração seja prorrogada, o mercado tende a preservar a atual referência líquida, evitando uma ruptura tributária justamente em momento de valorização do produto. Se, ao contrário, PIS/Cofins retornarem integralmente, haverá necessidade de reprecificação dos negócios a partir do dia 10, com potencial impacto nominal de R$ 192,20/m³ na estrutura anterior de faturamento. Esse acréscimo, contudo, não significa que o mercado físico consiga absorvê-lo integralmente: parte poderá ser compensada nas negociações entre usinas e distribuidoras para evitar perda excessiva de competitividade nas bombas, especialmente depois da alta acumulada das últimas semanas.
Para a próxima semana, portanto, o viés permanece firme para o hidratado e ainda mais consistente para o anidro. No hidratado, a sequência de altas em Paulínia confirma que a correção do final de setembro perdeu força, mas o eventual retorno da tributação poderá elevar a volatilidade e testar a capacidade de repasse ao varejo. No anidro, a escassez de ofertas, o E32 e os preços já próximos de R$ 3,40/litro mantêm um fundamento claramente altista. O mercado entra na segunda quinzena de outubro com disponibilidade spot mais ajustada e maior poder de negociação nas mãos dos produtores, embora a sustentação das altas continue dependendo da reação da demanda aos novos patamares.