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Análise de Mercado

O mercado de etanol atravessou a semana de 02 a 06 de março sob um ambiente de maior influência dos fatores externos, com a formação de preços novamente sendo impactada pela dinâmica do petróleo e pela evolução do mercado de gasolina no Brasil. Conforme já sinalizado no relatório anterior, a mudança de direção observada do meio para o final da semana passada acabou se consolidando ao longo de todo o período analisado, com as cotações retomando trajetória de sustentação tanto para o etanol hidratado quanto para o anidro no mercado spot do Centro-Sul.

 

Um dos elementos que contribuiu para esse reposicionamento foi o agravamento das tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos, que voltou a trazer volatilidade para o mercado internacional de petróleo. Como reflexo imediato desse cenário, refinarias privadas no Brasil realizaram reajustes nos preços da gasolina logo no início da semana. Esse movimento tende a se propagar rapidamente ao mercado de biocombustíveis, uma vez que a formação de preços do etanol permanece fortemente ancorada na paridade energética com o combustível fóssil. No caso do hidratado, a referência de competitividade em torno de 70% do preço da gasolina continua sendo um parâmetro relevante para a definição da demanda e para a sustentação das cotações.

 

O contexto do mercado de gasolina doméstico também adiciona complexidade ao quadro atual. A gasolina comercializada pela Petrobras passou a apresentar uma defasagem estimada em cerca de 19% em relação ao preço internacional, ampliando o descompasso entre os valores praticados internamente e os custos de reposição do produto no mercado externo. Esse cenário ganha relevância adicional considerando que aproximadamente 10% da gasolina consumida no país depende de importações para atender plenamente a demanda interna. Em um momento de preços internacionais mais elevados, essa diferença reduz o incentivo econômico para importadores e aumenta a sensibilidade do sistema de abastecimento.

 

O impacto tende a ser mais pronunciado nas regiões mais afastadas dos principais polos de refino — como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sul atendida por Paranaguá — onde o abastecimento depende em maior grau de importadores ou de refinarias privadas. Nessas áreas, qualquer desalinhamento prolongado entre os preços domésticos e os internacionais pode gerar pressões adicionais sobre a oferta de gasolina, o que, por consequência, reforça o papel do etanol como componente relevante na matriz de combustíveis.

 

Nesse contexto, a recuperação das cotações do etanol ao longo da semana aparece menos como um movimento isolado do mercado físico e mais como reflexo direto da interação entre fundamentos internos e variáveis externas. A proximidade do início da nova safra ainda limita a disponibilidade imediata de produto, enquanto a volatilidade do petróleo e a estrutura de preços da gasolina continuam exercendo forte influência sobre a formação das cotações dos biocombustíveis.

Assim, o início de março confirma um ambiente de mercado em que o etanol volta a ser guiado não apenas pelos fatores tradicionais da entressafra — estoques, ritmo de moagem e disponibilidade regional — mas também pela dinâmica do mercado internacional de energia. Caso a defasagem da gasolina persista ou se amplie, e as tensões geopolíticas mantenham o petróleo em patamar elevado, a tendência é que o etanol siga acompanhando esse movimento, preservando um viés de sustentação até que a nova safra comece a ampliar de forma consistente a oferta no Centro-Sul.

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