Usinas de álcool operam normalmente produzindo mais açúcar

20-Apr-2020

 

Em fevereiro o preço médio do etanol no Estado de São Paulo era de R$ 3,27 o litro para o consumidor. Mas essa semana, o preço do álcool combustível está sendo vendido em Araçatuba por R$ 1,98. É uma queda de 40%.

 

Isso põe em risco a sobrevivência do setor? Os especialistas dizem que não. Aliás as usinas já estavam com as barbas de molho, antes mesmo da crise do Coronavírus devido à queda nos preços do petróleo internacional. Antes era somente a guerra da Arábia Saudita com a Rússia, mas agora soma-se a isso a redução do consumo em todo o mundo. Por causa disso, as destilarias de álcool flexibilizaram suas plantas industriais para produzirem mais açúcar ( 60% ) do que etanol (40%).

O ex- ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, disse em um artigo publicado recentemente no Estadão, que o consumo do etanol caiu de 60 a 70%, tornando mesmo assim, sem competição com a queda no preço da gasolina. O acumulado do ano para a gasolina que sai da Petrobrás é de menos 40%. Rodrigues sugere que o Governo tome medidas como linhas de crédito para garantir o armazenamento do álcool ou o financiamento da safra.

 

ENTREVISTA COM TEUCLE MANARELLI

Já o empresário e professor Teucle Manarelli, que inclusive é pré-candidato a prefeito de Araçatuba, não considera que a situação seja tão alarmante.
"Antes do vírus as Usinas já flexibilizaram para produzir mais açúcar. Além disso o setor está acostumado com a sazonalidade porque tem apenas cinco meses de safra no ano. O maior problema na minha opinião e a baixa do preço do petróleo e perda competitvidade do etanol. Se o preço do petróleo não voltar aos preços históricos acima de U$ 60/ barril ( hoje está em US$ 30,00 ) isso também vai inviabilizar a produção brasileira de petróleo no pré-sal", afirmou Manarelli.

 

SOBRE AS RELAÇÕES DA INDÚSTRIA COM OS FORNECEDORES

"Quanto às relações entre usinas e fornecedores, pelo ciclo da cana ser 5 anos em média, os contratos também são pelo ciclo da cana e não vai haver revisão de contrato, ainda que o valor da cana do fornecedor e feita pela média móvel dos últimos 3 anos ( álcool e açúcar ). Assim existe uma estabilidade no estabelecimento de preços, o que é bom para Usina e fornecedor", disse Teucle.

 

AÇÚCAR É PONTO DE EQUILÍBRIO

"O Brasil é o maior exportador mundial de açúcar. A Índia outro grande exportador, está nesta safra com redução de quase 30% na produção. E a nível global existe déficit de açúcar. Outro benefício para a exportação é que a desvalorização do dólar ajuda nos preços relativos do açúcar brasileiro exportado"

 

PROBLEMA MAIOR É O PETRÓLEO

Para Teucle Manarelli, "O setor sucroalcooleiro vai sofrer, mas não vejo nenhuma catástrofe pelas razões acima expostas . A safra já começou na nossa região e vai indo bem. Anote que o preço do petróleo será um problema maior para economia brasileira no pré sal e para etanol ( o governo como vai precisar arrecadar no pos virus ). É possível que o governo faça uso dessa vantagem para o consumidor, aumentando impostos sobre os combustíveis, sem repassar a baixa do petróleo para consumidor".

 

PARQUE INDUSTRIAL

As usinas de álcool e açúcar estão presentes na região Alta Noroeste em Araçatuba, Valparaíso, Guararapes, Mirandópolis, Pereira Barreto, Sud Mennucci, Andradina, Castilho e Nova Independência. A estimativa é que aproximadamente 4 mil trabalhadores se ocupam dessa atividade nos próximos 5 meses do ano. Num momento como esse de crise, esses empregos valem ouro.

 

Fonte: Noroeste Rural

 

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