Do petróleo à soja: o Brasil no embate entre EUA e Irã

7-Jan-2020

O país pode sofrer consequências por seu alinhamento automático aos Estados Unidos após a morte de Qassim Soilemani.

 

Como costuma acontecer na geopolítica internacional, a corda estica primeiro do lado mais fraco. E isso não é uma boa notícia para o Brasil. Enquanto os desdobramentos da morte do general Qassim Soilemani continuam para lá de incertos, o país pode sofrer consequências por seu alinhamento automático aos Estados Unidos, responsáveis pela morte do militar.

 

O Irã convocou a encarregada de negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, segundo confirmou o Itamaraty nesta segunda-feira. O embaixador brasileiro no Irã, Rodrigo Azevedo, está de férias. Um dia após o ataque americano, a chancelaria brasileira divulgou uma nota em que disse apoiar “a luta contra o flagelo do terrorismo”, repetindo discurso dos Estados Unidos.

 

A convocação traz preocupação para exportadores por mais uma vez colocar o Brasil, de gaiato, nas tensões geopolíticas do Oriente Médio. Ano passado a insistência de Jair Bolsonaro em transferir a embaixada em Israel para Jerusalém provocou reações de países árabes. O Brasil vendeu mais de 2 bilhões de dólares me produtos ao Irã em 2019, com destaque para milho, soja, carne e açúcar.

 

Outro desdobramento possível para o Brasil é o cancelamento da viagem de Bolsonaro ao fórum econômico de Davos, no fim de janeiro, por questões de “segurança”. Ontem, o presidente afirmou que a tendência é de estabilização no preço dos combustíveis, após alta de 3,5% na sexta-feira após o ataque. Ele reuniu autoridades na segunda-feira para discutir possíveis iniciativas para compensar a alta no preço dos combustíveis.

 

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