RAÍZEN ENERGIA PROJETA AVANÇO E AMPLIAÇÃO DOS INVESTIMENTOS

21-Mar-2019

Luiz Henrique Guimarães, CEO da Raízen Energia: investimentos na renovação de canaviais serão retomados em 2019/20

 

A Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, projetou ontem, em apresentação da Cosan a analistas e investidores em São Paulo, que sua moagem de cana deverá alcançar entre 61 milhões e 63 milhões de toneladas na safra 2019/20, que terá início em abril. A "banda" estimada para a moagem significa um aumento de 2,15% a 5,4% na comparação com o volume registrado na temporada 2018/19, de 59,8 milhões de toneladas. A empresa também informou que vai ampliar os investimentos, que poderão alcançar quase R$ 3 bilhões.

 

Mesmo com o aumento da moagem, a empresa ainda não ocupará no próximo ciclo sua capacidade total de moagem, que é de 67 milhões de toneladas. Segundo João Alberto Abreu, vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen Energia, isso só deverá acontecer em 2022/23, duas safras depois do programado inicialmente. "Atrasamos esse processo em função do clima nos últimos dois anos. A expectativa era atingir essa capacidade em 2021", afirmou ele a jornalistas. Segundo Abreu, o plantio da cana realizado no inverno foi prejudicado nas últimas safras tanto por excesso como por falta de chuvas. Na safra 2019/20, a empresa, com 26 usinas, manterá hibernadas as duas unidades que tiveram as atividades suspensas em 2018/19, dado o foco na recuperação dos ativos adquiridos da Tonon, há dois anos.

 

A Raízen Energia pretende investir entre R$ 2,7 bilhões e R$ 2,9 bilhões em 2019/20, ante entre R$ 2,6 bilhões e R$ 2,7 bilhões em 2018/19. Em boa medida, esse incremento se justifica pelos aportes para elevar a produtividade dos canaviais adquiridos com as usinas da Tonon. Outra parte do aumento será destinada ao plantio, para reduzir a idade média dos canaviais da companhia, de acordo com o CEO Luiz Henrique Guimarães.

 

Na apresentação, Guimarães disse que a empresa já sabia que os canaviais da Tonon não tinham "a produtividade que precisava". Além disso, a Raízen Energia vinha reduzindo sua taxa de renovação de canaviais nos ciclos anteriores por causa do custo considerado elevado, o que aumentou a idade das lavouras, reduzindo sua produtividade.

 

Com a retomada de investimentos prevista para 2019/20, a companhia deverá elevar sua área total de plantio de 84 mil hectares para 105 mil, e a idade media dos canaviais deverá diminuir de 3,8 anos para 3,4 anos. Com o desejado aumento de produtividade, o objetivo é ocupar a capacidade ociosa e reduzir custos que aumentaram neste ciclo em virtude da quebra de safra.

 

Conforme Guimarães, a Raízen Energia pretende reduzir seu custo médio de produção para 10,5 centavos de dólar a libra-peso por tonelada de cana processada – "ou quem sabe até abaixo disso". O CEO afirmou que a companhia já conseguiu reduzir o custo de 12,1 centavos de dólar a libra-peso, na safra 2014/15 (resultado ajustado), para 10,9 centavos de dólar nesta safra 2018/19.

 

Marcos Lutz, CEO da Cosan Limited, controladora da Cosan, reforçou que a prioridade da Raízen Energia é elevar a eficiência. "Para um produtor de commodity, nada mais importante do que ser o produtor mais eficiente", afirmou ele, também durante o Cosan Day.

 

Sobre os planos para 2019/20, Guimarães mencionou, ainda, que a poderá haver "investimentos em ativos específicos" para fortalecer a ação de trading. Segundo ele, a companhia já atua na comercialização de todos os segmentos em que atua, de combustíveis fósseis e etanol até açúcar e energia elétrica, e a estrutura para a área deve ser fortalecida.

 

Ele destacou os aportes iniciados nesta safra para melhorar a comercialização de açúcar, como novos armazéns. "Desde a formação da Raízen, havia uma capacidade muito pequena para armazenar. Chegava julho a setembro e éramos obrigados a escoar o açúcar", disse.

 

"Conforme aumenta nossa capacidade estática de armazenagem, aumenta nossa capacidade de trading. O contrato [do açúcar demerara em Nova York] para março sempre paga mais que o outubro. O ‘carry’ [custo de carregamento] se paga facilmente, além da facilidade para avançar ou retardar a venda", disse.

Na próxima safra, a empresa deverá investir "quase o equivalente" ao que aportou em 2018/19 em armazenagem, e espera construir espaço para estocar cerca de 50% da produção.

 

Com os armazéns, a Raízen Energia também espera melhorar o atendimento aos clientes domésticos, como indústrias de alimentos, sobretudo na entressafra. E Guimarães disse que a companhia está atenta a outros produtos, como "açúcares menos açucarados e fragrâncias". De acordo com ele, a empresa aumentou sua estrutura de trading de etanol, com construção de tanques de armazenagem na Califórnia e "novas posições" na Ásia.

 

A empresa informou que já fixou as vendas para exportação de mais de 60% de sua produção de açúcar esperada para a safra 2019/20 a um valor 15% superior ao da safra passada. Em parte por isso, a Raízen Energia projetou que seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançará de R$ 3,4 bilhões a R$ 3,8 bilhões na próxima safra, ante de R$ 3 bilhões R$ 3,2 bilhões em 2018/19. A companhia alertou que as projeções apresentadas não levam em consideração a norma contábil IFRS, que será adotada a partir de abril.

 

Por Camila Souza Ramos

 

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico

 

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