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Vendas de etanol hidratado em julho atingem o maior nível desde fevereiro

Volume acumulado do renovável chegou a 10,47 bilhões de litros, uma queda anual de 17%; vendas de anidro caíram 10,5% no mesmo período


O consumo brasileiro de etanol hidratado em julho cresceu 13,1% na comparação com o mês anterior, para 1,51 bilhão de litros. Este é o maior volume desde fevereiro, quando o país consumiu 1,77 bilhão de litros, antes da imposição de restrições devido à pandemia do coronavírus.


Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), este crescimento nas vendas do hidratado em julho foi substancial em relação ao mês anterior, já que, desde maio, elas aumentaram 5% e 5,3%, respectivamente.


Mas, mesmo com o aumento da demanda pelo biocombustível, a participação do hidratado no mercado do Ciclo Otto foi de 26,2%, valor ligeiramente acima dos 25,6% vistos em junho, mas abaixo dos 28,8% registrados um ano antes.


Considerando também o etanol anidro, a participação total do renovável de cana no Ciclo Otto ficou em 46,1%, queda de 1,9 ponto percentual no ano.


Nos sete primeiros meses de 2020, o consumo de hidratado atingiu 10,47 bilhões de litros, uma redução de 17% em relação ao mesmo período de 2019. Já as vendas acumuladas de anidro ficaram em 5,25 bilhões de litros, queda de 10,5% no ano.


O descompasso entre as quedas do hidratado e do anidro reflete o comportamento do consumo de combustíveis durante os meses de isolamento social. No período, os motoristas preferiram a gasolina, que tem uma mistura de 27% de anidro.


Participantes do mercado ouvidos pela Platts não conseguiram identificar o principal motivo da escolha dos consumidores, já que o preço do etanol hidratado está competitivo ante a gasolina na região Sudeste. O valor médio nas bombas está abaixo do patamar de 70% desde 30 de março.


Porém, ao passo que a demanda teve uma redução em 2020, a produção de etanol também foi menor em comparação com o ano anterior. Na atual safra, os produtores da região Centro-Sul vêm privilegiando a fabricação de açúcar.


De 1º de abril a 16 de agosto, a produção de etanol hidratado caiu 4,73%, para 11,85 bilhões de litros, enquanto a de anidro teve uma diminuição de 10,30%, para 4,95 bilhões de litros.


A maior queda na produção de anidro, aliada à menor redução nas vendas de gasolina, tem se traduzido em menores estoques do biocombustível em relação a 2019. O setor também tem registrado dificuldades para encontrar anidro no mercado interno.


Em 1º de setembro, a S&P Global Platts avaliou o etanol anidro nas usinas de Ribeirão Preto em R$ 2.140/m³ (ou US$ 396,38/m³), alta de 6,73% em relação ao ano anterior.


Segundo as fontes ouvidas, o salto anual de preços demonstra que, apesar das vendas acumuladas estarem mais baixas no acumulado anual, o corte de produção e a arbitragem desfavorável para importações têm apoiado os preços domésticos.


* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução novaCana.com


Fonte: S&P Global Platts

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