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Traders esperam petróleo a US$ 100 o barril


Os principais traders de commodities do mundo estão prevendo um retorno do preço do petróleo a US$ 100 o barril, uma vez que os investimentos em novos suprimentos desaceleram antes da demanda atingir um pico e antes que as alternativas ecológicas possam preencher esse espaço.


Executivos da Vitol, Glencore e Trafigura, além do Goldman Sachs, disseram ontem que o petróleo a US$ 100 é uma possibilidade real, com os preços já atingindo o maior nível em dois anos nesta semana, quando o petróleo do tipo Brent superou a marca de US$ 73 o barril.


O principal período de risco de uma lacuna entre oferta e demanda de petróleo será entre 2025 e 2030.


A previsão surge no momento em que as preocupações com a inflação crescem e muitas commodities, como o cobre, já atingem patamares recorde graças a problemas na oferta enquanto a recuperação da economia mundial ganha força.


O petróleo ficou para trás por causa de uma desaceleração da demanda durante a pandemia do coronavírus e dos temores de que a demanda poderá atingir o pico na próxima década. Mas as previsões de que os preços subirão muito mais nos próximos anos ganharam força nas últimas semanas.


Jeremy Weir, presidente executivo da Trafigura, uma das maiores traders independentes de petróleo do mundo, disse no seminário “FT Commodities Global Summit”, ontem, que está “preocupado” com a falta de investimentos em novos fornecimentos porque o mundo ainda não está pronto para fazer o salto para as energias limpas e concluir a eletrificação.


“Na verdade, acho que há a possibilidade de o petróleo chegar a esses números”, disse ele no evento. “O problema do petróleo não é a demanda... a situação da oferta é que é bem preocupante. Passamos de 15 anos de reservas para 10 anos. Vimos os investimentos passarem de US$ 400 bilhões por ano há cinco anos, para apenas US$ 100 bilhões. Portanto, há uma preocupação com o lado da oferta... que eu acho que deverá elevar os preços.”


Alex Sanna, o principal trader de petróleo da Glencore, também disse que o petróleo a US$ 100 barril é algo que parece mais provável. “Se corta a oferta ao mesmo tempo em que responde à sua demanda, você pode ter deslocamentos de preços. Você está a apenas um ou dois eventos de um aumento material dos preços do petróleo”, disse Sanna.


O petróleo não é negociado acima de US$ 100 o barril desde 2014, quando um aumento da oferta do setor de xisto dos Estados Unidos levou ao fim do última chamado superciclo. No começo deste século, os preços do petróleo aumentaram de perto de US$ 10 o barril para mais de US$ 100 em 2008, estimulados pela crescente demanda chinesa. Os preços, embora voláteis, ficaram em médio em torno de US$ 100 o barril pelos seis anos seguintes.


Russell Hardy, diretor-presidente da Vitol, a maior trader independente de petróleo do mundo, disse que o barril do petróleo a US$ 100 é uma “possibilidade”, embora ele acredite que deverá haver capacidade ociosa suficiente, com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados como a Rússia ainda restringindo a oferta por causa da pandemia. “Há uma produção ociosa de 5 milhões de barris fora do mercado hoje”, disse Hardy.


Mas Jeff Currie do Goldman Sachs, um dos grandes promotores do rali do petróleo da década passada, disse que as commodities estão olhando para um novo superciclo, com as medidas de estímulo dos governos aumentando a demanda.


Ele acredita que a demanda por petróleo aumentará porque as autoridades usarão os investimentos em grandes projetos verdes de infraestrutura como medidas de estímulo voltadas para resolver a desigualdade. “Afirmamos que cada US$ 2 trilhões em investimentos em projetos verdes de infraestrutura correspondem a cerca de 200.000 barris/dia de demanda por petróleo”, disse ele.


Hardy da Vitol afirmou que sua companhia trading acredita que a demanda por petróleo alcançará o pico por volta de 2030, mas que inicialmente essa demanda não cairá acentuadamente, atingindo em vez disso um platô bem acima dos 100.000 barris/dia, alcançado pela primeira vez em 2019.


O principal período de risco de uma lacuna entre oferta e demanda de petróleo será entre 2025 e 2030, isso porque o crescimento do mundo em desenvolvimento sustentará a demanda mundial pela commodity até 2040, antes de ela começar a cair rapidamente.


“A demanda por petróleo provavelmente continuará crescendo até 2030, obviamente dominada pelos mercados em desenvolvimento que não fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, afirmou.


Marco Dunand, cofundador da Mercuria, acredita que a demanda por petróleo se recuperará para os níveis pré-pandemia e chegará pouco a pouco a 100 milhões de barris/dia até o fim do ano, enquanto Torbjörn Törnqvist, presidente do conselho de administração da Gunvor, concordou que o petróleo a US$ 100 poderá voltar e que altos preços são necessários para incentivar os investimentos no setor.


Alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como a BP e a Royal Dutch Shell, já disseram que suas produções começarão a ser reduzidas nos próximos anos, na medida em que elas forem mudando seus investimentos para formas mais ecológicas de geração de energia, por causa da pressão dos investidores.


A Equinor, a estatal de petróleo da Noruega, disse ontem que direcionará 50% de seus investimentos para projetos de energias renováveis e baixa emissão de carbono até 2030, mas só espera uma queda em sua produção de petróleo para depois dessa data.



David Sheppard e Neil Hume

Fonte: Financial Times, de Londres


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