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Se mercado interno não antecipar, vai pagar preço de importação no milho, alerta SLC

Durante apresentação de resultados de 2020, companhia afirmou que 40% da safra 2021/22 já está vendida e que o Brasil só não exporta mais milho porque não tem


Com 40% da produção da safra 2021/22, que sequer foi plantada, já vendida, a direção da SLC Agrícola reforçou nesta quinta-feira ,18, que as mudanças no mercado mundial de milho e a melhoria na infraestrutura para escoamento da safra no Mato Grosso tornaram o cereal brasileiro um “produto de exportação” e que “se o mercado interno não ficar atento, vai ter que pagar preço de paridade de importação”.


“Na prática, o que acontece com essa possibilidade de fazer exportação futura de milho, o que era raro no passado, o mercado vai ter que se atentar a isso ou senão vai ficar sem milho”, destacou o diretor financeiro da SLC Agrícola, Ivo Marcon Brum.


A companhia registrou um lucro líquido de R$ 510,9 milhões no último ano, crescimento de 62,2% ante o observado em 2019. O resultado é atribuído a um aumento de produtividade acima da média nacional, redução dos custos em dólar e à alta nos preços internacionais do milho e das demais culturas mantidas pela empresa: soja e algodão.


“O Brasil é muito competitivo na exportação de milho, virou um exportador importante de milho e logo vai competir com os americanos em termos de volume exportado, é só uma questão de aumentar a produção”, destacou o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurelio Pavinato.


Segundo dados do Ministério da Agricultura, o país exportou 34,4 milhões de toneladas de milho 2020, volume que só não foi maior por falta de produção, avalia o executivo. “A China, que não importava, este ano vai importar 25 milhões de toneladas. Os EUA produzem de 360 milhões a 380 milhões de toneladas, mas consomem 300 milhões de toneladas”, completou.


Além da demanda chinesa, ele ressalta que a melhoria da infraestrutura de exportação após a pavimentação da BR-163 e a desvalorização cambial também fomentam o fechamento antecipado de negócios.


“A indústria nacional de etanol e de carnes do Mato Grosso também estão crescendo e ambas geram uma demanda de consumo o ano todo. Com isso, na entressafra, dependendo do ano, se você exportar bastante, acaba sobrando pouco para oferta no mercado interno e acaba tendo escassez”, explicou o executivo ao praticamente descrever o cenário atual do mercado interno de milho.


Assim como a soja, ele acredita que os preços internacionais do grão devam se manter nos patamares atuais devido ao aumento expressivo da demanda internacional e à queda na produção de importantes países – entre eles EUA e Argentina.


“A observação que eu posso fazer é que não tem espaço para quebra de safra. Se for safra cheia nos EUA este ano, na Argentina e no Brasil ano que vem, o preço talvez siga o que está na tela hoje e talvez volte para US$ 11 ou US$ 12 o bushel no preço spot. Mas em uma eventual quebra de safra novamente, o preço se sustenta nos patamares de hoje [de US$ 14 o bushel]”, avaliou Pavinato ao comentar os preços da soja em Chicago.



Cleyton Vilarino

Fonte: Globo Rural

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