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Preços nos postos: Etanol tem queda semanal, mas competitividade segue comprometida

Ainda que preço do combustível renovável tenha retraído 1,1%, ele custa o equivalente a 76,5% do fóssil


Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 20 a 26 de junho:


  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,22%, enquanto o do etanol caiu 1,06%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 76,5% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol não é considerado economicamente vantajoso em todos os estados do país

  4. O hidratado caiu nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 303 municípios, nove a mais do que na semana anterior

Após duas semanas de aumentos consecutivos, o etanol volta a apresentar queda de preços nas bombas, chegando ao menor nível desde o início do mês; a gasolina, por outro lado, entra em sua décima semana de aumentos.


No período de 20 a 26 de junho, o biocombustível custou, em média, R$ 4,354 por litro. O valor corresponde a uma queda de 1,06% no comparativo com a semana anterior, quando o renovável foi comercializado a R$ 4,401/L. A gasolina, por outro lado, teve um breve aumento de 0,22%, passando de R$ 5,682/L para R$ 5,695/L.


Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).


A redução fez com que o etanol recobrasse algum fôlego de competividade uma vez que, uma semana antes, custava o equivalente a 77,5% do preço da gasolina, cenário que não se via desde fevereiro de 2017.


Entretanto, a redução não foi suficiente para que o renovável seja considerado competitivo, ou seja, fique abaixo do limite comercialmente estabelecido de 70%. Na semana, a relação entre os preços foi de 76,5%.


Nas usinas, o biocombustível vem em trajetória de queda. Nas unidades paulistas, houve uma retração semanal de 2,42% no preço do etanol hidratado, saindo de R$ 2,8753/L para R$ 2,8057/L. Já nas produtoras de Goiás e Mato Grosso, as diminuições foram de 2,27% e 2,53%, respectivamente.


Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.


É importante reiterar que as comparações dos preços nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.


Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 303 municípios, nove a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.


Variações nos estados

Entre 20 e 26 de junho, o preço do etanol nos postos subiu na média de 15 estados e no Distrito Federal, caiu em nove e se manteve na Bahia e no Amapá. Já a gasolina teve alta em 15 unidades da federação.


Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o etanol teve uma retração de preço de 1,12%, custando R$ 4,168/L. Enquanto isso, a gasolina foi vendida, em média, a R$ 5,406/L, um aumento de 0,02%. A redução do renovável proporcionou uma mudança na relação de preços em favor do etanol, ficando em 77,1%, embora o biocombustível siga economicamente desfavorável no estado. A pesquisa foi feita em 103 cidades, duas a menos do que na semana anterior.


Já em Goiás, o etanol foi negociado a R$ 4,383/L, em média. Por lá, o preço do biocombustível também teve queda na semana, de 3,44%, a maior dentre todos os estados analisados. Como a gasolina também passou por redução, de 1,4%, a relação entre os preços caiu para 74,1%, ante 75,6% uma semana antes. Para o levantamento, dez cidades foram consideradas, duas a mais que no período anterior.


Por sua vez, Minas Gerais teve uma retração no preço médio do etanol de 1,5%, ficando em R$ 4,409/L. A gasolina teve uma queda pouco menor, de 0,42%, e foi vendida a médios R$ 5,910/L. Com isso, o renovável custou, em média, 74,6% do preço do fóssil no estado. No total, 28 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que na semana anterior.


Mato Grosso segue detendo o preço médio mais baixo para o renovável dentre todos os estados, de R$ 4,028/L na semana analisada, com queda de 0,69% no período. Já o litro da gasolina foi negociado a médios R$ 5,695, após uma breve retração semanal de 0,04%.


Assim, a relação entre os preços está em 70,7%, levemente acima do limite favorável ao biocombustível e abaixo da reportada uma semana antes, também sendo a melhor do país.


A ANP fez a pesquisa em cinco municípios do estado, mesma quantidade da semana anterior.


Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol teve uma queda de 1,64%, sendo vendido a médios R$ 4,50/L – o maior preço para o biocombustível dentre os seis principais estados produtores. A gasolina também sofreu uma retração no preço, de 1,83%, ficando em R$ 5,674/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 79,3% do preço de seu concorrente fóssil, pouco acima do visto uma semana antes. Somente Campo Grande e Corumbá participaram do levantamento.


Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 80,09%, ainda que tenha havido uma sutil melhora no comparativo semanal. Isso ocorreu, pois o etanol teve uma diminuição de 0,6%, ficando em R$ 4,341/L; já a gasolina teve uma redução de 0,06%. No estado, 20 cidades foram pesquisadas, quatro a mais do que uma semana antes.


Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.


Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.


Entre 20 e 26 de junho, 303 cidades foram pesquisadas, nove a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.


Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.


Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.



Gabrielle Rumor Koster

Fonte: NovaCana

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