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Preço médio dos CBios não cai – mas também não sobe – na 1ª quinzena de agosto

Após três meses de quedas, créditos de descarbonização do RenovaBio mantiveram valor médio de R$ 27,53, já registrado na segunda metade de julho


A tendência de queda no valor dos créditos de descarbonização (CBios) pode não ter chegado ao fim, mas teve uma trégua na primeira metade de agosto.


Após altas nas duas quinzenas de abril, o preço dos títulos caiu nos seis acompanhamentos seguintes realizados pelo NovaCana, referentes ao período de maio a julho. Entre 1º e 15 de agosto, entretanto, os CBios foram negociados, em média, a R$ 27,53, caracterizando uma estabilidade em relação à quinzena anterior.


Ainda assim, em comparação com o valor médio de 2021 – de R$ 29,79 por CBio –, as atuais negociações trazem um declínio de 7,6%. Já ante a média histórica, de R$ 37,27, a queda é de 26,1%.


Os valores correspondem ao acompanhamento de mercado realizado pela B3, única entidade registradora do programa.


No período, o preço mais elevado foi registrado em 5 de agosto, com R$ 29. Desta forma, o custo dos CBios se manteve constantemente abaixo de R$ 30, valor médio projetado pelo Santander e pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege).


Enquanto isso, o preço mais baixo permaneceu relativamente estável, variando entre R$ 27,45 (nos dias 2, 3 e 10) e R$ 27,47 (nos dias 11, 12 e 13).


Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, seu valor oscilou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a variação foi menos ampla, indo de R$ 26,75 a R$ 35,70.


De acordo com a B3, durante a primeira quinzena de agosto, o mercado de CBios contabilizou 489 negociações. Com isso, foram totalizadas 1,12 mil trocas de titularidade no período, chegando a 21,48 mil no acumulado de 2021.


“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Emissões de CBios


Ainda que o preço dos títulos esteja abaixo do projetado, a oferta de CBios segue crescendo. O número de títulos escriturados pelas produtoras de biocombustíveis em 2021 já soma 18,47 milhões. Somente na primeira metade de agosto, a geração de crédito foi de 903,46 mil unidades.


O montante quinzenal representa uma queda de 46,1% ante os 1,68 milhão de créditos vistos na segunda metade de julho, mas está em linha com os desempenhos registrados nas quinzenas iniciais de meses anteriores.


Levando em conta as atuais emissões e o saldo de CBios deixado ao final de 2020, o volume total de títulos disponibilizados ao mercado chega a 22,43 milhões. Esta quantia é suficiente para atender a 90,2% da meta estipulada pelo RenovaBio para este ano, de 24,86 milhões de créditos.


Ao longo de toda a história do RenovaBio, as produtoras de combustíveis já emitiram 37,03 milhões de créditos.


Atualmente, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 281 unidades participam do RenovaBio; destas, duas fabricam biometano e 29, biodiesel. Dentre as 250 usinas de etanol certificadas, 242 utilizam apenas a cana-de-açúcar; cinco processam milho e cana; duas, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.


Posse e aposentadoria

Ao final da primeira quinzena de agosto, o número de CBios disponível para compra e venda era de 19,24 milhões. A maior parte destes títulos estava em posse das usinas, com 9,79 milhões de unidades. Na sequência, as distribuidoras de combustíveis fósseis – que possuem metas a cumprir no RenovaBio – detinham 9,27 milhões de créditos. E, por fim, investidores sem metas armazenavam 178,62 mil CBios.


Em comparação com o começo do mês, estas posições marcam avanços de 2,8% para as usinas, 6,4% para as distribuidoras e 2,1% para os demais investidores.


A elevação em todas as categorias aconteceu por conta da combinação entre o número de CBios que entrou no mercado e o baixo volume de aposentadorias visto no período. Na quinzena, apenas 31,52 mil títulos foram retirados de circulação.


No acumulado do ano, 3,19 milhões de CBios foram aposentados. Este montante é equivalente a 12,8% da meta do RenovaBio para 2021, que deve ser cumprida até 31 de dezembro.


A B3, entretanto, não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores. Conforme regulamentação aprovada pela ANP em maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem metas a cumprir poderão ser abatidos das obrigações das distribuidoras. A redução, entretanto, só deve ser contabilizada para os objetivos de 2022.



Renata Bossle

Fonte:NovaCana

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