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Políticas de incentivo e corrida verde impulsionam mercado de SAF

Após superar a marca de US$ 1 bilhão em 2023, o mercado global dos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês) está projetado em cerca de US$ 1,5 bilhão em 2024, com crescimento a uma taxa anual (CAGR) de 44,5% até 2034, calcula a Visiongain.

A empresa de inteligência de negócios sediada no Reino Unido observa um movimento crescente de mercado e de governos para impulsionar a adoção de SAF, uma estratégia da indústria de aviação para cumprir metas de descarbonização, entre elas, o Corsia.

A partir de 2027, a aviação internacional será obrigada a neutralizar suas emissões de carbono em relação a 2020, mitigando ou compensando. O SAF entra como uma solução nesse sentido, na medida em que substitui o querosene de petróleo e reduz a pegada de carbono dos voos. Em média, o biocombustível de aviação puro emite cerca de 80% menos CO2 que seu concorrente fóssil.

Embora a opção derivada de biomassa e óleos residuais ainda seja mais cara que o QAV tradicional, o relatório da Visiongain aponta um cenário otimista, com uma “crescente disponibilidade de oportunidades de investimento e financiamento para produtores e fornecedores de SAF”.

“À medida que a conscientização sobre as mudanças climáticas e a necessidade de descarbonização aumenta, os investidores estão cada vez mais priorizando oportunidades de investimento sustentáveis e socialmente responsáveis, incluindo aquelas nos setores de energia renovável e transporte limpo”, analisa.

Como exemplo, cita o investimento inicial de US$ 189,3 milhões da Macquarie Asset Management na SkyNRG, em novembro de 2023. Por meio do Fundo Macquarie GIG Energy Transition Solutions (MGETS), o banco de investimento australiano fez uma aposta na expansão do grupo que planeja estabelecer instalações dedicadas de SAF na Europa e nos EUA até 2030.

A SkyNRG, por sua vez, garantiu acordos de compra de SAF de longo prazo com a KLM Royal Dutch Airlines e a Boeing, em um volume estimado em US$ 4,3 bilhões até o final da década.

Decolando

Regulamentações ambientais rigorosas e políticas de incentivo na Europa e nos EUA estão impulsionando o crescimento do mercado de combustíveis sustentáveis, destaca a Visiongain. Essas políticas vão desde mandatos de mistura e incentivos fiscais até a ênfase em soluções de hidrogênio de baixo carbono.

“Iniciativas como a Lei de Redução da Inflação dos EUA e a estratégia Jet Zero do Reino Unido estão impulsionando a economia do hidrogênio, com a indústria da aviação focando no hidrogênio de eletrólise em 2023. Além disso, mecanismos de precificação de carbono e esquemas de comércio de emissões incentivam o investimento na produção e uso de SAF”, exemplifica.

Custo e disponibilidade, no entanto, seguem desafiando a adoção em larga escala. Dados do Conselho Internacional para o Transporte Limpo (ICCT) mostram o custo de produção variando de US$ 1 por litro (para matérias-primas a base de óleos na rota HEFA) a US$ 3,90 por litro (via hidroprocessamento de açúcares fermentados) – faixa de custo cerca de 2 a 8 vezes maior que o preço do QAV convencional.

Taxa de carbono para navios

Tão difícil de descarbonizar quanto a aviação, o setor de transporte marítimo também se movimenta para viabilizar novos combustíveis para substituir o consumo de fósseis. No radar está um imposto sobre emissões, cuja arrecadação pretende financiar alternativas como metanol e amônia verdes.

O Brasil entra nesta discussão com os biocombustíveis. Na quinta-feira, 9, durante apresentação do balanço financeiro do primeiro trimestre de 2024 do BNDES, o presidente do banco de fomento, Aloizio Mercadante, disse que o país precisa estar preparado para as mudanças a caminho.

“A ONU é mandatária sobre navegação e espaço aéreo. No espaço aéreo, já estão dados a data e o volume do combustível renovável que terá que ser adotado a partir de 2027. Nós estamos financiando a produção de SAF, que é o combustível sustentável da aviação”, disse Mercadante.

Em sua visão, a maior preocupação envolve, no entanto, a navegação marítima. “Cerca de 90% de todo o transporte de mercadorias do planeta é feito por navios. Eles terão multas se não descarbonizarem o combustível. E temos um problema logístico para chegar, por exemplo, à China. Nosso navio demora muito mais tempo do que, por exemplo, o da Austrália. Com isso, podemos perder competitividade. E o BNDES está debruçado sobre isso”, explicou.

Uma das ferramentas que o país possui para fomentar essa transição energética é o Fundo da Marinha Mercante, que existe desde 1958 e, entre os vários gestores, o BNDES responde por 75%.

Segundo Mercadante, por meio do fundo, estão em processo de contratação R$ 6,6 bilhões, envolvendo balsas, rebocadores, empurradores para transporte de grãos e minério, entre outras embarcações.

Subsídio para hidrogênio de eletrólise

Insumo para SAF, metanol e amônias verdes, o hidrogênio de baixo carbono tem atraído projetos no Brasil, que, para sair do papel, precisam de um marco legal.

Associações que representam os setores eólico e solar e a indústria de hidrogênio verde no Brasil divulgaram uma carta na quinta-feira em apoio às mudanças no PL 2308/2023 (PL do Hidrogênio) propostas pelo senador Otto Alencar (PSD/BA), em seu parecer no final de abril.

O relator no Senado trouxe de volta ao projeto originário da Câmara dos Deputados uma série de incentivos e subsídios para o hidrogênio, em especial para a rota da eletrólise (verde).

Uma das emendas prevê a isenção de impostos de energia elétrica voltada para produtores de hidrogênio verde. Outra cria um novo tipo de leilão de energia, para destinar o excedente das usinas renováveis à produção do combustível.


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