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Pernambuco negocia investimento em combustível sintético em Suape

E-metanol, hidrogênio, etanol e expansão da rede de gás natural: estado tenta alavancar indústria de energia no embalo da agenda verde


“Estamos na era da sustentabilidade, da energia renovável, e é por aqui que será exportado energia do Brasil para o mundo. É aqui que os navios aportarão para ser reabastecidos com hidrogênio verde”, comemorou a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), há duas semanas, durante o aniversário do Porto de Suape.

O porto, próximo a capital Recife, está no centro da estratégia do estado para atrair investimentos com o carimbo da transição energética.

Na sequência, a governadora embarcou para Dubai, nos Emirados Árabes, onde encontrou a comitiva presidencial na COP28, com Suape – o “carro-chefe” – e as diretrizes estaduais para o hidrogênio na agenda de promoção do estado.

Em busca das novas cadeias industriais, Pernambuco aposta na demanda por combustíveis sintéticos nas rotas europeias que passam pelo porto, na produção local de biomassa de etanol e no aumento da oferta de gás natural.

O primeiro projeto, contudo, enfrenta um revés: a disputa por uma área no porto levou à abertura de uma arbitragem entre Suape e a Vard Promar, que questionou a contratação da Qair para construir uma planta de hidrogênio verde (eletrólise) e azul (gás natural com captura de carbono).

“Resolvido o imbróglio, as discussões com a Qair serão retomadas”, afirma o secretário de desenvolvimento econômico, Guilherme Cavalcanti. “Além dela (Qair), outras duas companhias também manifestaram interesse pela área para a produção de hidrogênio. São companhias que já têm um contrato de off-takers e que apresentam viabilidade do seu modelo de financiamento”, diz.

Combustível verde para navios

Segundo Cavalcanti, o governo negocia com uma empresa internacional um projeto de produção de e-metanol – combustível sintético para abastecer navios – feito a partir de hidrogênio renovável da biomassa de cana-de-açúcar.

“Na nossa agenda, temos a discussão com investidores europeus do setor elétrico para a produção de e-metanol. E temos um setor sucroalcooleiro importante aqui”, afirma.

Um dos compradores do e-metanol seria a dinamarquesa Maersk, que anunciou investimento de R$ 2,6 bilhões para um novo terminal de contêineres no Suape. A companhia já fechou sete parcerias para metanol verde no transporte marítimo.

A estratégia do estado para o hidrogênio passa pela demanda das indústrias já instaladas em Pernambuco e pela atração de novas indústrias consumidoras do energético, que olham a fabricação de produtos verdes.

“Não será esperar uma revolução. Vamos construir a evolução do mercado de energia e da produção de bens certificados verdes, a partir das demandas que já existem. Já há companhias que precisam ou se preparam para mais adiante utilizar, de fato, o hidrogênio verde no seu processo produtivo”, relata.

Ele cita como exemplo a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), da Petrobras, e a White Martins, que estão instaladas no porto, e empresas internacionais que precisam descarbonizar suas atividades.

Expansão da rede de gás

Cavalcanti ressaltou que outro foco do governo é assegurar a retomada de investimento na expansão da rede da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás).

Os planos incluem desenvolver novos mercados que estão distantes da rede, por meio do transporte de GNL em caminhões, tal como ocorre em Petrolina, que recebe gás natural liquefeito trazido por caminhões desde a rede em Belo Jardim.

“Estamos construindo uma operação semelhante para os fornos de calcinação de Araripina, na região produtora de gesso. Mais de 90% do gesso do Brasil está ali”, afirma Cavalcanti.

Ele conta que já estão sendo costurados acordo com empresas de médio e grande porte, que hoje representam 80% da produção de gesso, para que migrem seus fornos a lenha para o gás natural. O governo pretende subsidiar a conversão dos fornos. “O gesso é um consumidor voraz de lenha. Estamos construindo as condições para isso acabar. À medida que o gás chegar lá, vai diminuir a procura por lenha”, diz o secretário.

Cavalcanti também considera a possibilidade de trazer um parceiro privado da área de distribuição, ou logística, especificamente contratado para fazer chegar esse gás na região de Araripe. “Vamos ter não só um terminal de regaseificação, que deve liquefazer para transportar, e regaseificar lá, como uma pequena rede local de distribuição em Araripe. Esse é o plano no curto prazo”.

Além de Araripe, o governo ainda estuda expandir a rede para Garanhuns e Serra Talhada, onde a indústria de cerâmica também pode ser beneficiada pela chegada do gás.

Biometano

A Copergás também olha para indústrias que já começam a exigir a mistura de biometano no gás natural. Para isso a companhia lançou edital para a primeira chamada pública em Pernambuco destinada à aquisição de biometano

“Temos algumas indústrias que são intensivas no uso de gás, algumas que trabalham no processo de queima. Então a gente tem a oportunidade de já começar a descarbonizar esse mercado como um todo e começar a se posicionar”, explica.

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