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Os carros a combustão realmente vão acabar?

Legislações de diferentes países têm pressionado fabricantes com normas cada vez mais rígidas

A preocupação de governos e instituições em relação à qualidade do ar nas grandes metrópoles não é um tema necessariamente recente: no verão de 1943, as autoridades da cidade de Los Angeles (EUA) relataram diversos episódios de moradores que sofriam de náuseas e irritações nos olhos e nos pulmões em virtude da poluição.


No pós-guerra, a explosão de consumo da classe média e o desfile de carrões com mais cilindros e menos preocupações com eficiência energética só deixaram a situação ambiental mais complicada. Entre os anos de 1950 e 1960, foi necessário estabelecer regulações para que as montadoras controlassem as emissões de poluentes de seus novos veículos.

“As políticas públicas e o mercado foram ditando as mudanças dos carros: mesmo quando começaram os programas de controle de poluentes, as montadoras ainda lançavam os modelos V8, mas aí veio a crise do petróleo [na década de 1970] e esses motores foram para o espaço porque os carros eram gastões”, explica Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia.

Para reduzir as substâncias nocivas à saúde, como o monóxido de carbono (CO), as fabricantes instalaram catalisadores nos escapamentos e introduziram o sistema de injeção eletrônica, que consegue controlar mais adequadamente o consumo de combustível.


Mas, além das preocupações com a saúde, os governos voltaram suas atenções às emissões do dióxido de carbono (CO2), que têm relação direta com o efeito estufa (uma das causas do aquecimento global) e é um dos resultados da queima dos combustíveis. “Existem metas de eficiência energética — e as montadoras precisam atendê-las adotando soluções técnicas, como o downsizing, os motores com baixa cilindrada e turbo, para compensar a perda de potência”, afirma Romio.


Mesmo com todas as engenhosidades, as legislações (principalmente na Europa e em países como o Japão) estão cada vez mais apertadas em relação às leis ambientais. Em outubro do ano passado, a União Europeia aprovou metas para reduzir 60% das emissões de CO2 — das emissões atuais de dióxido de carbono, 30% têm relação com os meios de transporte.


No caso do Brasil, Romio considera que promover o etanol como combustível ainda é uma solução viável para aliviar a emissão de dióxido de carbono. “Se o combustível for renovável, como o álcool, a rigor não tem problema em relação às emissões, porque o CO2 é recapturado nas plantações de cana.”


Confira a seguir, as principais mudanças nos motores ao longo da história automotiva:



1967: Anos dourados em V8

Lançado na década de 1960, o muscle car Chevrolet Camaro se tornou um dos símbolos americanos antes da primeira crise do petróleo, em 1973, que obrigou as empresas a lançar carros menos gastões. Além da versão de seis cilindros, a opção mais desejada tinha motor V8 5.4.

1978: Coisa nossa

Em 1975, o Brasil lançou o programa Pró-Álcool, que incentivava a fabricação de motores que rodavam com etanol. Em 1978, a Fiat lançou um motor 1.3 para equipar o 147 que rodava apenas com álcool e recebeu o apelido de "Cachacinha".

1992: Potência racional Em busca de soluções que aliassem desempenho com maior eficiência, a Honda lançou a Série B de motores, que reunia propulsores de quatro cilindros para equipar modelos como o Civic.

2012: Febre nacional Ao estrear no Brasil, o HB20 também estreou a linha de motores de três cilindros dentro da marca para diminuir o gasto de combustível e reduzir as emissões de poluentes — anos depois chegaria o turbo.

2013 - Era híbrida: O Toyota Prius foi lançado em 1997 e se tornou o primeiro carro híbrido a fazer sucesso mundial. O modelo chegou ao Brasil em 2013, quando os motores híbridos ainda não ocupavam posição de destaque na gama das montadoras.

2019 - A vez dos elétricos:

Os motores alimentados por energia elétrica deixaram de ser uma exibição das feiras de ciências e entraram nas linhas de montagem, como o caso do Nissan Leaf, elétrico mais vendido no mundo e que chegou ao Brasil em 2019.



Por Thiago Tanji

Fonte: Auto Esporte

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