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Opep+ vê mercado de petróleo apertado no 2º semestre


Um ano depois de cortar volumes sem precedentes de petróleo, a aliança Opep+ espera um forte aperto dos mercados mundiais da commodity.


A coalizão, liderada pela Arábia Saudita e Rússia, acredita que o excesso de petróleo – criado quando a pandemia de coronavírus impactou empresas e a demanda por combustíveis – foi praticamente eliminado e que os estoques diminuirão rapidamente no segundo semestre, à medida que as restrições diminuem e as viagens são retomadas.


Com isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e parceiros começam a ponderar na terça-feira se devem bombear mais petróleo ou limitar a produção, pois o cenário ainda é dominado por incertezas.


Manter a produção estável ajudaria o mercado contra o risco duplo de novos surtos de coronavírus e um possível fluxo de exportações do Irã, caso o país renove o acordo nuclear com os Estados Unidos e outras potências mundiais. Mas com a alta do petróleo tipo Brent já em 36% neste ano, acima de US$ 70 o barril, crescem os riscos para a economia global e de pressões inflacionárias que são foco de Wall Street.


“Existem muitas partes se movendo quando se trata de fatores que afetam o mercado global de petróleo, como o ritmo de mudança durante a pandemia”, disse o secretário-Geral da Opep, Mohammad Barkindo, após consultas preliminares na segunda-feira.


Em reunião virtual na terça-feira, os ministros avaliam o aumento gradual já previsto para julho, completando a reposição de pouco mais de 2 milhões de barris por dia desde maio. Segundo o acordo histórico fechado no auge da crise do petróleo no ano passado, o grupo se comprometeu a manter os níveis de oferta até o início de 2022. Mas um mercado apertado pode exigir que o acordo seja revisado.


Delegados disseram que, na terça-feira, começam as discussões iniciais sobre as medidas da aliança após julho. Nenhuma decisão será tomada, afirmaram. Operadores petróleo e de títulos vão seguir de perto os comentários em busca de sinais.


Estoques em queda

O Comitê Técnico Conjunto da Opep estima que, até o final de julho, os estoques de nações desenvolvidas ficarão abaixo da média de 2015-2019, uma referência chave para o grupo. Entre setembro e dezembro, os estoques se esgotarão em ritmo acelerado, acima de 2 milhões de barris por dia.


Isso levou muitos observadores a concluírem que a Opep+ precisará abrir as torneiras no segundo semestre.


“O mercado agora enfrenta exatamente o dilema oposto de abril de 2020”, disse Louise Dickson, analista da consultoria Rystad Energy. “Os produtores agora têm a mesma tarefa delicada de trazer de volta oferta suficiente para atender ao rápido aumento da demanda por petróleo. Se os mercados ficarem muito apertados, uma explosão dos preços pode prejudicar a recuperação econômica global.”


Mas a perspectiva sobre a demanda permanece cercada de incertezas, principalmente na Ásia. O consumo de energia na Índia foi muito afetado pela onda de Covid-19 no país. Japão e Malásia, maiores consumidores do petróleo da Opep, anunciaram recentemente medidas mais rigorosas para combater o novo surto.


“O ressurgimento de casos de Covid-19 em alguns países asiáticos e latino-americanos continua sendo fonte de preocupação”, disse a JTC em relatório.



Fonte:Bloomberg

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