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Novas regulamentações podem obrigar a indústria de combustíveis fósseis a reduzir as emissões de metano

Reduzir as emissões de metano, gás responsável por cerca de 30% do aumento das temperaturas globais desde a Revolução Industrial, é fundamental para limitar o aquecimento global a curto prazo e melhorar a qualidade do ar. O setor da energia – incluindo petróleo, gás natural, carvão e bioenergia – responde por mais de um terço das emissões ligadas à atividade humana.

De acordo com o recém-lançado relatório Rastreador Global de Metano 2024, elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE, na sigla em inglês), a utilização de petróleo e gás resultou em cerca de 120 milhões de toneladas (Mt) de emissões em 2023, enquanto outras 10 Mt provieram da bioenergia – em grande parte resultantes da utilização tradicional de biomassa.

As fugas de metano de infraestruturas antigas ou malconservadas e a prática da queima do excesso em poços de petróleo e gás são as principais razões desses altos volumes.

Mas esse cenário preocupante poderá mudar em breve, dizem os analistas. Isso por conta das regulamentações mais rigorosas que estão sendo implementadas pelos principais países produtores e consumidores de combustíveis fósseis, juntamente com uma melhor monitorização e transparência das fugas prejudiciais.

“Embora as emissões ainda sejam muito elevadas, 2024 será um divisor de águas em termos de ação e transparência em relação ao metano”, disse Christophe McGlade, chefe da unidade de fornecimento de energia da AIE.

Novas regras

No ano passado, os Estados Unidos finalizaram novas regras destinadas a reprimir as emissões de metano da indústria do petróleo e do gás, incluindo medidas para eliminar a queima de rotina e forçar os produtores a monitorar melhor as fugas dos equipamentos.

O Canadá também anunciou uma nova proposta para padrões reforçados de redução de metano. E a União Europeia introduziu uma lei que exige que as empresas comuniquem as emissões, monitorem e corrijam as fugas e limitem a queima.

Vale destacar que, além da parte política, os sistemas de vigilância de metano estão ficando mais eficientes. Por exemplo, o MethaneSAT, um novo satélite desenvolvido pelo grupo ambientalista Environmental Defense Fund (EDF) foi lançado este mês para medir e rastrear as emissões do gás de efeito estufa. Os dados estarão disponíveis ainda em 2024.

“Estes dados não só ajudarão na implementação dos requisitos regulamentares, mas também apoiarão os compromissos assumidos pelas empresas de combustíveis fósseis na COP28”, disse Mark Brownstein, especialista em metano do EDF, ao Climate Change News. “Tudo isso está finalmente nos apontando na direção certa.”

Reduzir as emissões é fácil e barato

A AIE estima que a indústria dos combustíveis fósseis precisa reduzir as emissões de metano em 75% até 2030 para que o mundo atinja emissões líquidas zero em 2050. E isso pode ser feito de forma rápida e barata, com o uso de tecnologias e medidas bem conhecidas, como equipamentos melhorados e práticas mais eficientes.

No ano passado, pouco menos da metade das emissões poderiam ter sido evitadas sem custos líquidos para os produtores, com as medidas pagando a si próprias graças às receitas provenientes do gás adicional capturado.

Mas se isso é vantajoso para todos, fica a questão: por que os produtores de combustíveis fósseis não estão fazendo a sua parte para reduzir as emissões? Brownstein explicou que até pouco tempo este gás de efeito estufa era ignorado pela comunidade global como uma ameaça séria.

“A ação agressiva sobre o metano já deveria ter sido feita há muito tempo, mas infelizmente ainda estamos numa fase relativamente inicial”, disse ele ao Climate Change News. “Só agora começamos a ver alguma ação coordenada de empresas e países para lidar com este poluente.”

Uma das ações é um compromisso assinado por mais de 150 países e anunciado pela primeira vez na COP26, em Glasgow, na Escócia, para reduzir as emissões globais de metano em pelo menos 30% em relação aos níveis de 2020 até ao final desta década.

Na COP28, realizada ano passado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, novas promessas foram feitas, e mais de 50 empresas de petróleo e gás se comprometeram a acelerar os esforços de redução de emissões.


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