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Não quero interferir, mas não posso deixar que haja abuso, diz Bolsonaro sobre Petrobras


O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender hoje que a Petrobras precisa dar mais “previsibilidade” sobre reajustes dos combustíveis e que não pode haver “abuso” de preços. A declaração ocorre após a estatal anunciar o sexto aumento consecutivo na gasolina (9%) e no diesel (5,5%).


“Não quero interferir, mas não posso deixar que haja abuso”, disse o presidente, em entrevista à Band TV. “O Conselho da Petrobras poderia ter metodologia que, além de transparência, dê previsibilidade [sobre reajustes]”, afirmou.


Os constantes reajustes foram pano de fundo para a troca na presidência da petrolífera. O executivo Roberto Castello Branco, indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, escolhido por Bolsonaro.


O presidente disse ainda que a oscilação nas ações da empresa após ele anunciar mudanças são fruto de uma "grande especulação" em torno dos ativos.


O presidente também comentou durante a entrevista a nova rodada do auxílio emergencial, que ainda depende de discussões na Câmara. O valor médio, confirmou o presidente, será de R$ 250, mas haverá mudanças para mais ou para menos dependendo da composição familiar.


“O valor médio do auxílio emergencial será de R$ 250 porque passou-se a considerar a família”, explicou. “Colocamos o teto de R$ 44 bilhões, R$ 11 bilhões por mês [de gasto total com o benefício]”.


Mais cedo, Guedes esclareceu que o benefício irá de R$ 175 a R$ 375, a depender do perfil familiar dos beneficiários.


Ao comentar os efeitos da pandemia, o presidente voltou a se posicionar contra medidas de isolamento social e afirmou que não sabe “o que deu na cabeça dos ministros do Supremo dar poder a prefeitos” para decidir sobre restrições de atividades.


O presidente evitou responder se irá se vacinar contra a Covid-19. Com o argumento de que já contraiu o vírus, disse que deveria dar prioridade aos demais, mas fugiu do tema ao ser questionado se tomaria a vacina por último.


“Teve reunião de ministros e quase a unanimidade achava que eu deveria me vacinar, mas sou mais eu do que os 23 juntos”, finalizou.



Matheus Schuch e Fabio Murakawa

Fonte: Valor Econômico

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