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Mercado de CBios terá excedente apesar de produção menor de etanol, diz Santander


Contando com estoques de 2020 e fortes emissões de créditos de descarbonização em 2021, o mercado deverá registrar excedentes de CBios neste ano, apesar de uma esperada queda na produção de etanol, avaliaram executivos do Santander, líder nas escriturações desses títulos.


A análise do banco é de que os preços sigam nos patamares atuais, em torno de R$ 30 a unidade ao longo do ano, uma vez que produtores de etanol e biodiesel – os emissores dos títulos – não teriam tanto interesse em vender abaixo desse patamar.


A situação em 2021 é mais tranquila do que em 2020, quando o programa começou durante a pandemia, obrigando a uma revisão de volumes que as distribuidoras de combustíveis são obrigadas a adquirir para compensar as vendas de derivados de petróleo. O processo no ano passado acabou sendo tumultuado, com as vendas ficando mais concentradas ao final do ano, gerando pico de preço de R$ 62.


“Não vejo muita volatilidade nesses preços neste ano porque não tem justificativa para subir demais, porque tem oferta grande, e não tem disponibilidade de CBio abaixo de R$ 30”, disse o responsável da mesa de commodities e CBios do Santander, Boris Gancev.

“Abaixo de R$ 30, o usineiro fala, deixa aí, não vou vender agora”, afirmou ele, lembrando que o crédito não tem data de vencimento.


As metas de aquisições de CBios pelas distribuidoras neste ano estão estabelecidas em 24,86 milhões de unidades, versus 14,5 milhões em 2020.


Mas o executivo do Santander, que tem 78% dos CBios escriturados após o banco sair na frente neste mercado em 2020, estimou que o setor deverá emitir aproximadamente 30 milhões de unidades em 2021.


Com os 4 milhões de CBios em estoques carregados do ano passado, o país deverá fechar o ano com um excedente de cerca de 10 milhões, considerando apenas compras da parte obrigada esperada para 2021, concluiu.


Sem “alarde”

Segundo a superintendente executiva de agronegócios do Santander, Caroline Perestrello, uma esperada queda na produção de etanol este ano – conforme indicam analistas diante de uma safra “açurareira” e com menor moagem de cana – não é fator para “alarde” em termos de oferta de CBios.


“Em 2021 é outra história (em relação a 2020, quando os preços chegaram a disparar). O aspecto de emissão (pela indústria) de etanol, versus o que tem ofertado e escriturado de CBios, é suficiente para a meta do ano”, completou ela, ressaltando que apenas o Santander tem oferta de cerca de 5 milhões de CBios escriturados “aguardando o movimento de compra mais agressivo”.


Ela comentou que atualmente as compras por distribuidoras têm sido “constantes, mas não agressivas”.


“É um cenário hoje favorável ao comprador, se fosse um distribuidor de combustíveis faria o que estão fazendo. Deixaria para comprar no segundo semestre. Se o estoque está grande, no segundo semestre vai ser maior ainda, há chance de conseguir preços mais baixos”, disse Gancev, lembrando que a liquidez está pequena, abaixo dos R$ 29 por CBio.


De outro lado, este ano também haveria oportunidade para o comprador fechar negócios equivalentes à sua meta de 2021 e também para o ano que vem, quando a obrigação total das distribuidoras subirá para 34,2 milhões de CBios.


Ele comentou que o que poderia mudar no cenário de preços seria a entrada de mais compradores sem mandato, como fundos. Mas ponderou que isso não é tão simples, pelo fato de o CBio ainda não ser caracterizado como um ativo financeiro.

“Isso cria um certo ceticismo por parte de fundos e investidores”, afirmou, acrescentando que alguns têm feito “experiências” com o título.


Segundo Gancev, o CBio é “uma semente daquilo que pode ser o desenvolvimento de um mercado de carbono que é nascente”, e o Brasil tem a vocação para ser o “grande fornecedor” nesse segmento, em um momento em que o mundo cada vez mais se volta a energias renováveis e práticas ambientalmente sustentáveis.



Roberto Samora

Fonte: Reuters

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