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Mercado calcula que defasagem no preço dos combustíveis persiste


Segundo analistas de mercado, mesmo após o reajuste promovido pela Petrobras de 6,2% para o diesel, 8,2% para a gasolina e 5% para o GLP nas refinarias, a companhia continua praticando preços abaixo da referência internacional.


A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estima que o litro do diesel vendido pela empresa ainda está R$ 0,23 abaixo do preço de paridade de importação (PPI). Para a gasolina, a defasagem é de R$ 0,07.


A XP Investimentos calcula que o preço do diesel está 14% inferior à paridade, enquanto a StoneX ainda vê perspectiva de alta de R$ 0,19.


Na queda de braço entre o governo federal e os estados, o secretário de Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que o ICMS não é o responsável pela volatilidade dos preços.


“A variação na bomba, para o consumidor, é resultado da política de preços da Petrobras. Isso varia de acordo com o mercado de oferta e demanda, a cada momento. Os países têm critérios de amortização. Isso gera, evidentemente, uma volatilidade muito grande”, disse.


Como candidato à presidência, em 2018, Meirelles propôs a criação de Mecanismo Automático de Amortecimento de Preços (MAAP), que poderia ser implementado por meio de subvenção econômica com utilização de fundos para bancar a diferenciação dos preços praticados pela Petrobras. Proposta similar agora está na agenda do governo.


Em outra frente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou na semana passada que entregaria um projeto para que o ICMS estadual seja cobrado nas refinarias, e não nas bombas, e defendeu a cobrança de um valor fixo do ICMS por litro.


Em resposta, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) divulgou nota reforçando que o aumento dos preços dos combustíveis não tem qualquer relação com a política tributária dos estados.


“São fruto da alteração da política de gerência de preços por parte da Petrobras, que prevê reajustes baseados na paridade do mercado internacional, repassando ao preço dos combustíveis toda a instabilidade do cenário externo do setor e dos mercados financeiros internacionais”, disse o Comsefaz.


Na avaliação do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), o aumento dos preços dos combustíveis anunciados pela Petrobras revelam total falta de estratégia do governo federal e da empresa, ignorando a estrutura de mercado brasileira em relação a outros países.


Segundo o Ineep, entre os países com expressiva produção de petróleo, como o Brasil, os preços dos combustíveis são reajustados com menor frequência, porque as empresas estatais administram suas políticas de preços de olho na paridade internacional num longo prazo, e sem trazer a volatilidade para o mercado interno.



Gustavo Gaudarde

Fonte: EPBR

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