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Lucro da Biosev dispara com recordes para açúcar; cenário é favorável para 2021/22


A Biosev, uma das maiores empresas de açúcar e etanol do país, teve lucro líquido de R$ 485,3 milhões em nove meses da safra 2020/21, ante prejuízo de R$ 429,2 milhões no mesmo período do ano anterior, com uma produção recorde de açúcar e bons preços da commodity, que sinalizam resultados operacionais ainda melhores na próxima temporada que se inicia em abril, disseram executivos.


No terceiro trimestre da safra, o lucro líquido foi de R$ 329,8 milhões, ante ganhos de R$ 22,7 milhões no mesmo período da temporada passada, à medida que a empresa colhe resultados de investimentos, ganhos de eficiência e vendas de produtos com melhores margens que vão além das cotações do açúcar.


A produtividade dos canaviais da Biosev, com unidades em operação em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais atingiu 85,7 toneladas de cana por hectare no acumulado da safra, recorde histórico com alta de 2,9% ante mesmo período do ciclo anterior. A empresa ainda registrou aumento de 9% no Açúcar Total Recuperável (ATR Produto), para 142,4 kg por tonelada de cana.


“Os resultados confirmam mais uma vez essa virada do negócio, que começou na Biosev há três anos, com foco grande na melhoria operacional agrícola e industrial, mesmo em um ano desafiador, com clima seco em São Paulo”, disse o presidente da Biosev, Juan José Blanchard, à Reuters.


Os recentes resultados operacionais da Biosev chamaram a atenção da Raízen, que anunciou nesta semana acordo para incorporar a companhia controlada pela Louis Dreyfus, por R$ 3,6 bilhões mais ações.


A moagem de cana da Biosev atingiu 25,785 milhões de toneladas em nove meses da safra 2020/21, queda de 0,5% na comparação com mesmo período do ciclo anterior.


Com maior direcionamento da cana para o açúcar, para aproveitar a maior rentabilidade do adoçante frente ao etanol, a produção da Biosev somou recorde 1,88 milhão de toneladas em nove meses da safra 2020/21, alta de 63,3% na comparação com mesmo período do ciclo anterior. Já a fabricação de etanol atingiu 1 bilhão de litros, queda de 22% na mesma comparação.


O diretor financeiro da Biosev, Leonardo Oliveira D’Elia, disse que a companhia, que vai usar os recursos recebidos da Raízen para pagar parte da dívida de R$ 7,7 bilhões (base final de janeiro), segue em negociações com credores para reestruturar o endividamento, que foi causa de vários prejuízos trimestrais da empresa anteriormente.


Em sua demonstração de resultados, a empresa declarou um endividamento bruto de R$ 6,9 bilhões em 31 de dezembro, com R$ 3,1 bilhões comprometidos com vencimento em curto prazo.


“Ainda não tem nada diferente, os credores estão muito próximos. A quantidade de dívida em moeda estrangeira continua relevante com um pedaço que conseguimos ‘hedgear’, e a gente espera nos próximos meses finalizar esse processo com os credores”, afirmou ele.

Os executivos evitaram comentar sobre o negócio com a Raízen. “A gente está otimista que tudo vai dar certo, mas os prazos estão fora do nosso controle”, disse Blanchard.


Próxima safra

Segundo o CEO, o clima melhorou para canaviais do Centro-Sul do Brasil, cujo desenvolvimento foi afetado ao longo da maior parte de 2020 devido ao tempo seco. Mas ele comentou que a nova safra está mais atrasada, e que moagem pode começar mais tarde.


“O clima melhorou a partir da metade de dezembro, o clima melhorou muito, mas ainda os canaviais, especialmente no centro-sul estão um pouco atrasados. Existe a possibilidade de esperar um pouco para o começo da safra”, afirmou ele, lembrando que a Biosev tem exposição maior do que o mercado em Mato Grosso do Sul, estado menos afetado pela estiagem.


A Biosev já travou a maior parte do açúcar que espera vender na próxima temporada, tendo “hedgeado” 85,1% da produção até 31 de dezembro, ao preço de 67,43 centavos de reais por libra-peso, 9% acima da temporada 2020/21, disse o diretor comercial da empresa, Gabriel Carvalho.



“Então esperamos uma receita maior por tonelada de cana no próximo ano. Os preços do petróleo continuam firmes, e isso tem mantido os preços do etanol bastante firmes. Se não mudarem, a gente provavelmente vai ter um ótimo ano em 2021”, afirmou ele, adicionando que a companhia ainda não fez fixações para 2022/23.



Roberto Samora

Fonte: Reuters


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