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Leilão da usina São Fernando recebe quatro propostas


A Usina São Fernando, localizada em Dourados, recebeu quatro propostas de aquisição. Os envelopes foram divulgados nesta segunda-feira (1º) em leilão. A companhia, que está falida, tem capacidade para moer mais 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, produzindo 330 mil toneladas de açúcar e 150 milhões de litros de etanol anidro.

Conforme reportagem do Valor Econômico, um dos proponentes é uma pessoa física e os outros três, grupos sucroenergéticos. Além disso, os documentos apresentados durante a audiência não igualaram financeiramente as propostas, sendo necessárias análises que resultem em um Valor Presente Líquido (VPL).

Um dos grupos interessados na São Fernando é a usina Santa Helena. A proposta da companhia é pagar R$ 322,5 milhões parcelados, já no VPL. A Santa Helena, por sua vez, também passou por recuperação judicial a partir de 2015. Dois anos depois, tendo cumprido o plano aprovado pelos credores, seu processo foi arquivado pela justiça, conforme os advogados da usina. Já a Millenium Holding fez uma proposta ainda maior: R$ 351,65 milhões (equivalentes a US$ 65 milhões, convertidos a uma taxa de câmbio de R$ 5,41). Para isso, a companhia apresentou uma carta de crédito do banco de fomento BBFM, no modelo Stand-By Letter of Credit (SBLC), de R$ 457,14 milhões.

A Millenium, consórcio de investidores no setor, está construindo uma usina de etanol em Jaciara (MT) com investimento de quase R$ 600 milhões. A intenção da companhia é produzir o renovável tanto com a cana-de-açúcar quanto com o milho. E a maior proposta para a aquisição da São Fernando é da AGF Indústria Produtora de Açúcar, Etanol e Energia Elétrica, que já possui a usina Terra dos Palmares em Palmares (PE). Sua intenção é pagar R$ 600 milhões ao longo de 15 anos, com carência de três. Assim, seriam pagos R$ 40 milhões todo dezembro a partir de 2024.

A justificativa para o período de carência é a "necessidade de reestruturação do pátio industrial" da São Fernando. Como garantia, a AGF apresentou um contrato de letra de crédito de 200 milhões de euros com um banco italiano.

Este não é o primeiro leilão no qual a companhia participa, tendo feito propostas para a usina Guaxuma, da massa falida de João Lyra, e para as terras do grupo Clealco, atualmente em recuperação judicial.

Já José dos Santos, representando um consórcio de investidores, foi o responsável pela proposta de R$ 520 milhões, sendo R$ 12 milhões de entrada após 90 dias de homologação do leilão, seguidos de 12 parcelas anuais, com carência de 24 meses. Também foi proposto que, em dezembro e janeiro, apenas os juros serão pagos, diminuindo as amortizações nos meses seguintes.

Conforme o Valor Econômico, os interessados na São Fernando devem se manifestar nos próximos 14 dias. Após este prazo, eles terão mais cinco dias para defender suas propostas, que serão avaliadas pelo administrador judicial Vinicius Coutinho, a fim de verificar se elas se encaixam nos pré-requisitos do leilão. Uma das exigências, por exemplo, era que o VPL fosse de ao menos R$ 200 milhões.

Além disso, na proposta também deveria constar: o VPL, utilizando a taxa de longo prazo do BNDES como índice de desconto para cálculo; a quantidade de parcelas; um eventual prazo de carência; a discriminação das garantias; a demonstração de capacidade financeira; e a demonstração do conhecimento necessário para gerir a atividade.

A São Fernando foi inaugurada em 2009, tendo sido um dos maiores projetos de produção de açúcar e etanol do país na época. Em 2013, a empresa entrou em recuperação judicial e, quatro anos mais tarde, teve sua falência decretada.

A massa falida da usina é um dos poucos sistemas de falência em continuidade. A administração da Vinicius Coutinho Consultoria e Perícia moeu 1 milhão de toneladas no ano passado e planeja moer 600 mil toneladas nesta safra.



Fonte: Dourados Agora

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