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Indústria de etanol de milho aposta na retomada na demanda e em produção recorde

Estimativas do setor privado e da Conab apontam para volume entre 2,5 bilhões e 2,7 bilhões de litros do biocombustível feito a partir do cereal


A mudança de perspectiva na demanda por etanol no mercado interno e a melhora nos indicadores internacionais do barril de petróleo em relação ao início da pandemia do coronavírus deixaram mais otimista a indústria de etanol de milho no Brasil. Com a mudança de cenário, o setor passou a esperar por uma produção recorde do biocombustível na temporada 2020/21, em linha com a expectativa do governo federal.


“O cenário mudou. Era um cenário de incerteza, já não é mais. Mesmo no cenário de incerteza, nós crescemos 85%. Iniciamos uma grande operação na primeira semana de março e temos outra indústria que só está dependendo de aval da Agência Nacional de Petróleo (ANP)”, explica o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco. A nova unidade deve ser inaugurada em até duas semanas no município de Nova Mutum (MT).


Na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve em 2,7 bilhões de litros sua estimativa para a produção de etanol de milho. O número integrava o relatório de acompanhamento da produção de cana-de-açúcar no ciclo 2020/21. Já a Unem, revertendo previsões negativas no início do segundo semestre, considera possível um volume entre 2,5 bilhões e 2,7 bilhões de litros.


“Entre abril e julho, nós produzimos 768 milhões de litros, 85% a mais do que no ano passado. É uma média de 192 milhões de litros por mês, mas, se levado em conta a produção recorde de 234 milhões em julho para os próximos oito meses, teremos o número da Conab”, afirma Nolasco.


Para a Unem, um volume de 2,5 bilhões de litros seria mais “factível”. Mas, se confirmada a produção de 2,7 bilhões, seria um aumento de 61,1% em relação à temporada anterior, com acréscimo de 1 bilhão de litros. Se manter a média dos últimos meses, o setor produzirá mais 1,5 bilhão de litros, totalizando 2,3 bilhões no ano safra - o que, ainda assim, seriam 600 milhões de litros a mais do que o ano anterior.


A região que mais se destaca na produção de etanol à base de milho é o Centro-Oeste, com cerca de 95% da oferta nacional. “Nesta safra, a estimativa é de uma produção nacional de 2,7 bilhões de litros no país, sendo 2,56 bilhões nessa região, distribuídos entre Mato Grosso e Goiás”, afirma a Conab.


O Estado de Goiás deve responder por 511,4 milhões de litros, crescimento de 73% sobre a safra 2019/20. Já a produção mato-grossense, de acordo com a Conab, deve totalizar, 2,05 bilhões de litros, incremento de 61,5%.


“No estado (de Mato Grosso), o combustível proveniente do grão será maior que o volume oriundo da cana-de-açúcar, consolidando a operação das grandes usinas full, bem como a adaptação das indústrias flex ao novo mercado sucroalcooleiro”, afirma a companhia.


Este aumento na safra é resultado de sucessivos investimentos nos últimos anos. Ao final de 2020, os estados de Goiás e Mato Grosso devem fechar o ciclo iniciado em 2015 com investimentos de R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões, respectivamente. Outras duas usinas devem ser inauguradas nos meses de novembro e março no estado mato-grossense, totalizando quatro novas unidades no período de um ano.


Para o presidente da Unem, há um ambiente propício para o aumento da produção do etanol de milho. “O Centro-Oeste concentra 55% da produção de milho do Brasil, com uma demanda doméstica baixa. Quando esse milho é processado e se transforma em cogeração de energia, etanol, farelo ou óleo de milho, o preço da tonelada dobra de valor e traz grandes benefícios em termos de sustentabilidade, impostos e empregos”, completa o executivo.


Fernando Barbosa

Fonte:Globo Rural

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