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Incapacidade de refino da Petrobras exige mais importação; e tudo pode piorar


O presidente Jair Bolsonaro está dizendo que a política da Petrobras (PETR3; PETR4) vinha servindo a “um grupo”. Poderá ele ter que dizer, logo mais, que esse grupo é o que será responsável por complicar a voraz rotina de investimentos que a petroleira e suas subsidiárias necessitam.


O refino é um dos principais gargalos, e o que mais demanda investimento, além da exploração do pré-sal.


Se o caixa da empresa ficar mais baixo, com a interferência na política de preços do mix que a troca de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Luna e Silva sugere, o mesmo grupo que o presidente acredita estar escanteando vai também fechar as torneiras de recursos não carimbados.


O mercado vai cobrar mais caro para emprestar à Petrobras e o desinvestimento programado, com a proposta de privatizar oito refinarias, já está considerado comprometido.


“Quem vai querer comprar sabendo que a pratica de preços poderá não ser livre, obedecendo petróleo e câmbio?”, pergunta Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combutíveis (Abicom), que já vê a gasolina, por exemplo, com preços defasados ante os custos das importação de petróleo.


O governo vendeu a baiana Landulpho Alves para o Fundo Mubadala quase na prorrogação das críticas à atual gestão da petroleira. Faltou pouco para nem essa ser vendida.


O Brasil precisa importar 15% da gasolina que consome anualmente e cerca de 25% do óleo diesel, segundo os dados da Abicom, caso contrário não fecha as contas. Do primeiro, o grupo de importadores trouxe 3,8 milhões de m3 em 2020; do diesel, 12 milhões m3.


As refinarias estão sucateadas e não têm mais como aumentar a capacidade sem dinheiro ou recursos para novas instalações.


Em números mais redondos, Araújo calcula em 26 milhões de m3 a refinação da gasolina alocada atualmente, enquanto no diesel está em 48 milhões de m3.

O potencial de comprometer mais ainda o layout produtivo e consumir mais o caixa da Petrobras é imenso.


Levando isso e mais todo a conjuntura do gigante, o “grupo” já está punindo há alguns dias os papéis das estatal na B3 (B3SA3): às 16h50 (Brasília), a PETR4 derrete quase 20%.



Fonte: Money Times

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