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Grupo de 9 entidades empresariais se posicionam contra novos aumentos da adição de biodiesel


Além do cabo de guerra com o governo federal por conta da manutenção do B10 por mais um bimestre, o setor de biodiesel terá que se defender em uma nova frente de batalha. Um grupo formado por 9 associações empresariais publicou hoje uma nota conjunta no qual se posiciona de forma contrária a novos aumentos da mistura obrigatória.


No texto publicado na manhã de hoje (13), o grupo – que representa os setores de petróleo; distribuição e importação de combustíveis; veículos e autopeças e transportes – manifesta “preocupação em relação às discussões sobre a evolução do teor de biodiesel” que, segundo o documento, apresenta “sérios problemas de qualidade” o que implicaria em “maiores custos para o transporte de cargas e de passageiros” levando ao “aumento de preços de produtos para toda a sociedade”.


As entidades alegam que problemas relacionados ao biodiesel têm “provocado danos a máquinas e motores” e aumento na formação de borras e resíduos contaminantes que precisam ser descartados.


Debate recorrente

Essas alegações não são totalmente novas. Desde que a mistura de biodiesel se tornou obrigatória no começo 2008 discussões periódicas sobre os padrões de qualidade do produto têm acontecido. Antes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) ter aprovado, em novembro de 2018, o atual cronograma de aumentos da mistura, foi realizada uma série de testes para validar a segurança do uso de misturas com até 15% de biodiesel.


E, apesar de alguma resistência inicial por parte das montadoras e fabricantes de autopeças, o uso de misturas ampliadas acabou aprovado no relatório elaborado sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME).


O documento recomendava melhorias na estabilidade oxidativa do biodiesel. Essa exigência fio cumprida na atualização mais recente da especificação do produto.


Proconve

O documento também assinala para um alegado risco de “estagnação tecnológica” na indústria automotiva num momento em que o país se prepara para implementar novos limites de emissões por meio da chegada de uma nova etapa do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). As fases L7 e P8 do programa deve começar em janeiro de 2022.


“Não há experiência [de uso de motores Euro 6] com teores elevados de biodiesel”, diz o texto que ainda alega que “estudos recentes” mostrariam que o aumento da mistura de biodiesel estaria associado a maiores ‘emissões de óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos e monóxido de carbono”.


Paradoxalmente, a Anfavea tem se movimentado para adiar por até três anos a nova fase do Proconve, Além disso, a acusação de que o biodiesel causaria aumento da poluição contradiz as conclusões de um estudo recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) que aponta que o uso de biodiesel evitou 277 mortes prematuras em 2018 apenas na região metropolitana de São Paulo.


Solução a vista

Em grande parte, as críticas mais importantes da nota já estão para ser endereçadas. Nos próximos meses, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deverá de implementar mais uma atualização da especificação do biodiesel.


Além disso, a agência está desenhando um programa permanente de monitoramento do biodiesel para gerar dados a respeito da qualidade dos produtos que formam o diesel A.

A expectativa da agência com é que essas medidas possam pacificar a cadeia de uma vez por todas.


A nota é assinada por: - Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP); - Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Federação Brasilcom); - Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom); - Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis); - Sindicato Nacional do Transportador Revendedor Retalhista (SindTRR); - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea); - Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave); - Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores; - Confederação Nacional dos Transportes (CNT);

A íntegra do posicionamento das entidades pode ser acessada clicando aqui.



Fábio Rodrigues

Fonte: BiodieselBR.com

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