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Estados recalculam em R$ 32 bilhões perdas com mudança no ICMS dos combustíveis


Os estados recalcularam em R$ 32 bilhões o tamanho das perdas com o projeto que altera a forma de cobrança do ICMS para mitigar a alta dos preços dos combustíveis. O projeto foi aprovado pela Câmara e está tramitando agora no Senado.


Em nota, o Comitê Nacional de Secretários Estaduais de Fazenda (Comsefaz), diz que essa perda ocorrerá para estados e municípios. O cálculo anterior previa uma redução da arrecadação de R$ 24 bilhões.


Depois de não conseguirem barrar o projeto na Câmara, os estados promovem uma articulação para que os senadores rejeitem o projeto.


Para os estados, além de ameaçar o financiamento dos gastos obrigatórios e comprometer o equilíbrio fiscal dos entes subnacionais, a mudança no ICMS não solucionará o problema da alta dos preços de combustíveis. Eles argumentam que o problema somente se resolverá com a revisão da política de paridade internacional adotada pela Petrobras desde 2016.


“Não se age sobre a causa da elevação de preço e se cria uma ficção diversionista que intenta apenas deslocar do governo federal a sua inteira responsabilidade sobre a questão”, diz a nota.


Os estados classificaram o projeto como um “experimento do desacerto” demasiado custoso para as vidas dos cidadãos em situação de maior vulnerabilidade econômica, que seriam os mais afetados com o corte de recursos de serviços públicos.


O Comsefaz reforça que o projeto é inconstitucional. Eles argumentam que o Congresso tem competência específica em matéria de ICMS para criar um regime monofásico para a tributação dos combustíveis. Mas, mesmo nesse caso, a Constituição reserva ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a capacidade para dispor sobre alíquotas.


Lira rebate

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu o projeto que muda a cobrança do ICMS sobre combustíveis, aprovado pelos deputados na semana passada. Segundo ele, não há um estado que esteja com dificuldades de arrecadação. “Estados e municípios estão cheios de recursos”, afirmou em entrevista à Revista Veja.


Embora o projeto mude a cobrança, hoje um porcentual sobre o preço médio de venda, para um valor fixo por litro, Lira disse que a Câmara não mexeu na autonomia dos estados, que poderão definir as alíquotas de ICMS de cada combustível. O texto está agora no Senado, mas sofre resistência dos Estados e deve ser alterado.


Ao falar sobre a inflação, Lira minimizou o fato de as previsões do mercado para a inflação neste ano estarem próximas de 9%. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 10,25%. “O Brasil bater 9% de inflação com todas as dificuldades não está com disparidade. Os Estados Unidos estão com 5%”, disse.



Fonte: Agência Estado

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