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Dutos da Logum chegam à Grande São Paulo


A partir de setembro, toda a demanda por etanol na região metropolitana de São Paulo poderá ser atendida pelos novos dutos da Logum Logística. Controlada por Petrobras, Raízen e Copersucar, a companhia já possui dutos que transportam etanol de Uberaba (MG) a Ilha D’Água (RJ). Agora, ela inaugura a expansão do sistema logístico para o principal polo de consumo do país, fruto de um investimento de R$ 1 bilhão realizado nos últimos dois anos.


As primeiras atividades pré-operacionais ocorrerão na próxima semana, e as primeiras entregas comerciais serão feitas no fim de agosto, com o início da operação no novo terminal de Guarulhos, construído pela companhia. Em setembro, será a vez de o novo terminal construído em São Caetano do Sul receber as primeiras entregas do biocombustível.


Ainda há uma parcela final da nova etapa de dutos que começará a operar em São José dos Campos a partir do ano que vem. Na cidade, a Logum entregará etanol diretamente para as distribuidoras, atendendo toda a demanda do Vale do Paraíba.


Quando todos esses locais estiverem operando em sua plena capacidade, o sistema de dutos da Logum poderá movimentar 6 bilhões de litros de etanol por ano, dos quais dois terços deverão atender os novos locais de entrega. O volume pode ainda ser ampliado em mais 1 bilhão de litros ao ano com a expansão da capacidade de transporte de etanol no trecho entre Paulínia e Guararema, que já possui operação.


Segundo Wagner Biasoli, presidente da Logum, esse volume deverá ser atingido em até três anos - e é mais que o dobro do volume movimentado atualmente, de cerca de 2,5 bilhões de litros anuais. Até 2030, a empresa espera elevar a movimentação para 9 bilhões de litros ao ano.


O etanolduto foi concebido na época do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), há dez anos, para facilitar a conexão entre as regiões produtoras do CentroSul e os pontos de consumo e de escoamento para outros mercados. O projeto inicial, porém, sofreu atrasos por causa da crise que o setor de etanol enfrentou na década passada, que levou à quebra de dezenas de usinas, e, segundo fontes do setor, também por causa do envolvimento de alguns sócios na época - Odebrecht e Camargo Corrêa - na Lava-Jato, o que congelou por um tempo os aportes do BNDES no empreendimento.


A Logum já possui 350 quilômetros de dutos com pontos de recebimento de etanol em Uberaba e Ribeirão Preto e de entrega no centro de distribuição de combustíveis de Paulínia, em Barueri e em Ilha D’Água, de onde o biocombustível segue para o Nordeste por cabotagem. O sistema atual foi fruto de aportes de R$ 2 bilhões.


Os novos dutos serão operados diretamente pela Logum a partir do novo centro de controle em Ribeirão Preto, na primeira operação privada de dutos do país. Os dutos anteriores são operados pela Transpetro, e também passarão a ser operados pela Logum num futuro próximo, segundo Biasoli.


Ao Valor, o executivo ressaltou que o projeto está alinhado com todas as letras da sigla “ESG” (ambiental, social e governança). Ele não revelou o custo do transporte por dutos, mas disse que eles oferecem maior competitividade para o etanol em comparação com o transporte rodoviário.

Todos os dutos substituirão, em 2030, cerca de 410 mil viagens de caminhõestanque por ano, 70% dos quais ocorrerão nas novas regiões atendidas. “Isso reduz o número de acidentes e dá mais segurança para a mobilidade”, disse.


Além disso, no fim da década, a substituição dos caminhões por dutos reduzirá as emissões de gases de efeito estufa em 230 mil toneladas de carbono equivalente ao ano. O transporte por dutos já permite que as usinas melhorem a nota ambiental de seu biocombustível no programa RenovaBio, o que dá a elas a possibilidade de emitir mais Créditos de Descarbonização (CBios). Para aproveitarem o benefício ambiental da nova extensão do sistema da Logum, as usinas precisam recertificar sua produção no programa.


Biasoli também espera que os dutos tenham efeito positivo sobre a arrecadação fiscal, já que, hoje, há sonegação fiscal em uma parcela da distribuição de etanol feita por caminhões. “É o melhor projeto que o Brasil teve nos últimos anos”, comemorou.


O retorno dos aportes deve ocorrer no longo prazo. O executivo preferiu não indicar em quanto tempo, mas disse que, em 2030, a expectativa é que a receita passe de R$ 1 bilhão.

Em 2020, a Logum faturou R$ 200 milhões, movimentando cerca de 2 milhões de litros de etanol - houve queda de 16% por causa dos impactos da pandemia. Para 2021, a expectativa é de um resultado melhor, já que a movimentação já está maior que a de antes do início da pandemia.


Fonte: Valor Econômico

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