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Demanda por renováveis cresce no primeiro ano de pandemia


As renováveis foram as únicas fontes de energia com aumento de demanda em 2020, superando a crise econômica em decorrência da pandemia de covid-19, mostra a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). No relatório de atualização do mercado, a agência indica que a expansão de fontes renováveis de eletricidade, como a eólica e a solar, deve se tornar "o novo normal daqui para frente". A capacidade de eletricidade renovável adicionada em 2020 aumentou 45%, para 280 gigawatts (GW), a maior evolução ano a ano desde 1999. "O aumento em 2020 deverá se tornar o ??´novo normal??´, com cerca de 270 GW de capacidade renovável em curso para serem adicionados em 2021 e quase 280 GW em 2022, apesar de uma desaceleração na China após um nível excepcional de adições no ano passado", diz o documento. Para Fatih Birol, diretor executivo da IEA, os governos precisam aproveitar esse momento com políticas públicas capazes de atrair investimentos para o setor. "Investimento em energia solar e eólica, na infraestrutura de rede adicional que exigirão e em outras tecnologias renováveis importantes, como energia hidrelétrica, bioenergia e geotérmica. Uma expansão massiva da eletricidade limpa é essencial para dar ao mundo uma chance de atingir seus objetivos de emissões líquidas zero". Brasil estende acionamento de térmicas e aumenta consumo de diesel no transporte Apesar da expansão global das renováveis, a IEA alerta para o aumento das emissões de CO2 pelo uso de combustíveis fósseis em economias emergentes. No Brasil, a seca histórica nas regiões dos reservatórios hidrelétricos fez o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) manter a possibilidade de usinas termelétricas mais caras serem despachadas no fornecimento de energia. No início desta semana, a produção das térmicas já era recorde (18%), ultrapassando a eólica (13%). Também colabora para o aumento do uso de combustíveis fósseis a recente decisão do governo de reduzir o percentual de biodiesel adicionado ao diesel de petróleo -- combustível mais consumido no país. Na última quarta, em uma reunião com produtores, o Ministério de Minas e Energia confirmou que vai manter a mistura obrigatória de biodiesel em 10%, ante os 13% previstos em lei. Efeito cascata do desmatamento Além de aumentar as emissões de CO2, o avanço do desmatamento no Brasil tem um efeito perverso sobre o regime de chuvas, que impacta a produção de energia, que, por sua vez, vai refletir nas emissões de CO2. Em outubro do ano passado, a Diálogos da Transição trouxe uma entrevista com Karen Tanaka, gerente Técnica para Energia e Mudança do Clima no CEBDS, e outra com a ex-ministra de Meio Ambiente (2010-2016), Izabella Teixeira. Na época, as especialistas já antecipavam a crise que estava por vir. "No setor energético, embora a matriz seja considerada limpa, com 46,1% de fontes renováveis, a grande dependência de hidrelétricas deixa o país mais propenso a futuras crises", avalia Karen Tanaka. Ela explica que, no longo prazo, os incêndios em grandes áreas de florestas diminuem a capacidade de retenção de umidade e, consequentemente, de chuvas. "Existe um fluxo de umidade que vem da Amazônia, descendo pelo Centro-Oeste e chegando à região Sudeste. Com o aumento do desmatamento, há grande variabilidade nesse padrão, afetando o regime de chuvas", diz Karen.

Fonte: Epbr

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