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Como a agenda ESG impulsiona o mercado de carros elétricos

O que Via Verejo, CPFL e Ambev têm em comum? A aposta na tecnologia para reduzir a pegada de carbono


Agenda ESG

Agenda ESG – Com o tema ESG (governança ambiental, social e corporativa) na mira de empresários e investidores, os veículos elétricos se tornaram estratégicos para reduzir a pegada de carbono de empresas de diversos segmentos – desde varejistas até companhias de tecnologia e prestadoras de serviços. A eletrificação da mobilidade deixou de ser meta só das fabricantes de veículos, com adesão crescente.


Em abril, a Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, começou a rodar com dez furgões elétricos para atender a cidade de São Paulo. Os veículos são capazes de transportar 720 kg e têm 300 km de autonomia. Em breve, a empresa deve incluir também caminhões elétricos.


A frota eletrificada é reflexo direto da pauta ESG, que entrou definitivamente na agenda da empresa em 2019, quando a nova administração assumiu e trouxe meta de redução das emissões de carbono até 2025. O diretor de logística da Via Varejo, Daniel Ribeiro, fala a respeito:


“Os veículos com a tecnologia exigem investimento um pouco maior, mas tivemos de apostar nesse movimento, que é uma tendência. Em cinco anos, no máximo, vamos mudar completamente. Queremos que a frota elétrica atenda toda a região de São Paulo e o Rio de Janeiro”, diz.

A experiência com a nova tecnologia tem sido positiva, avalia Ribeiro. “Notamos a diminuição de ruído no Centro de Distribuições, o que torna o ambiente mais agradável. Além da facilidade de manutenção dos veículos, de ser positivo para o meio ambiente e para o consumidor final.”


A Via Varejo instalou carregadores elétricos no próprio centro de distribuição de São Bernardo do Campo (SP) para dar conta das viagens curtas até a capital. Até 2022 a empresa vai garantir que 80% de todo o seu consumo de energia seja de fontes renováveis.

Diante de todo movimento pela eletrificação, nada mais justo do que a CPFL, fornecedora de energia elétrica, incorporar a tecnologia ao seu negócio. A empresa tem 15 carros elétricos rodando pelas ruas do interior paulista e, até o final do ano, serão mais quatro veículos. A empresa também vai dobrar a oferta de pontos de recarga para 16.


“Desde 2007, acompanhamos a evolução dos carros elétricos e buscamos entender o funcionamento e suas aplicações. Agora a empresa está comprometida com metas sustentáveis e a eletrificação da frota é uma das partes desse projeto”, afirma o gerente de Inovação e Transformação da empresa, Rafael Moya.

Até 2024, o grupo prevê a aplicação de mais de R$ 1,8 bilhão em projetos de sustentabilidade em diversas áreas da empresa, incluindo a transformação completa da frota corporativa para veículos elétricos, com o objetivo de reduzir em 10% o indicador de intensidade de carbono.


Segundo Moya, a mudança é importante, mas desafiadora. A empresa teve que driblar a ausência de picapes elétricas do mercado brasileiro e adaptar os veículos para as necessidades da organização.


“Não é só um veículo para meio de transporte. O time de engenharia precisou ajustar alguns parâmetros para implementação de equipamentos, como escada e cesto aéreo, para que o eletricista consiga fazer a manutenção dos cabos das ruas”, conta o gerente.

Entre os benefícios ele destaca: “além do impacto ecológico, é mais prático para a utilizar o cesto e a escada que usamos na manutenção dos cabos porque o veículo elétrico não precisa estar ligado, como acontece com o de motor a combustão. Isso reduz o ruído que poderia desviar a atenção do eletricista”.


Para 2022, a frota vai continuar em expansão: serão dois novos caminhões da Volkswagen, modelos adaptados para a CPFL.


Se faltam opções no mercado, o negócio é firmar parceria com montadoras

Como apontou a CPFL, entre os obstáculos à adesão mais ampla aos veículos elétricos nas frotas corporativas está a oferta limitada de modelos e configurações. Para driblar o problema, diversas empresas estreitaram laços com as montadoras e fornecedores de tecnologia para eletropostos.


A Ambev aposta em uma das maiores frotas corporativas de elétricos. A empresa tem acordo para adquirir 1,6 mil caminhões elétricos da Volkswagen. Do total, as cem primeiras unidades começam a ser produzidas no final de julho. Segundo a fabricante, o modelo e-Delivery é ideal para entregas em pequenos e médios trajetos, até 400 km.


A Renault tem mais de 350 veículos comerciais leves elétricos circulando nas frotas corporativas. Um dos clientes é o Grupo Deutsche Post DHL que recentemente adquiriu cinco unidades da marca. A empresa de logística conta com 25 carros com a tecnologia no país e pretende triplicar esse número nos próximos anos. Globalmente, a DHL vai investir € 7 bilhões em ESG, com meta de eletrificar 60% de sua frota até 2030.


Segundo a ABB, mais clientes buscaram as suas soluções no último ano, incluindo o Mercado Livre. A empresa oferece postos de recarga e toda a solução de energia. O gerente de produtos e soluções de mobilidade elétrica da ABB, Wilson Morais, fala da demanda: “Para frotas, o ideal é ter carregadores de infraestrutura, de corrente contínua, para poder recarregar e rodar distâncias maiores, mas precisa ter uma recarga rápida”.


Ele ressalta ainda que é importante que as empresas se atentem para a matriz energética que abastece os eletropostos:


“Não adianta carregar com um gerador a diesel. É preciso ter uma fonte de energia renovável, como as fazendas solares, para garantir que de ponta a ponta o projeto seja sustentável e compense o custo”, afirma Morais.

Na Nestlé, 10% dos veículos (100 unidades) serão de elétricos, movidos a GNV ou biocombustíveis, como o metano. O investimento de R$ 15 milhões nessa e em outras iniciativas verdes tem como meta zerar a emissão de gases do efeito estufa até 2050. Segundo a empresa, o uso de veículos sustentáveis vai reduzir em 5,7 mil toneladas as emissões de CO2 por ano.


Demanda corporativa puxa a inovação (e os investimentos)

A eletrificação das frotas corporativas abriu espaço para inovações de infraestrutura e gerenciamento, com o objetivo de melhorar o desempenho dos veículos e impulsionar a substituições dos motores a combustão.


O plano de sustentabilidade da CPFL destina mais de R$ 45 milhões a projetos de pesquisa e desenvolvimento até 2024, com o objetivo fomentar a mobilidade elétrica no Brasil. Uma das metas é reduzir o impacto ambiental das baterias veiculares, que duram em média dez anos em uso nos automóveis.


“Estamos trabalhando com fornecedores e institutos de pesquisa para analisar as baterias, em termos de qualidade e geração de energia, e encontrar novas aplicações no mercado para estender a vida útil desse componente”, afirma o gerente de inovação e transformação da CPFL, Rafael Moya.

A concessionária de energia trabalha ainda no desenvolvimento de uma plataforma de gestão dos eletropostos. O motorista poderá localizar e reservar o carregador mais próximo, realizando o pagamento de forma digital.


Outra novidade semelhante é a solução em nuvem da ABB em parceria com a Amazon Web Services (AWS). A plataforma, que será implementada no próximo semestre, possibilita o gerenciamento de energia e de frotas de veículos elétricos em tempo real, o que ajuda a otimizar o uso eficientes dos veículos.


“Com a tecnologia, é possível saber quando o veículo parou, se ele foi mesmo eficiente ao gastar apenas a quantidade de bateria que estava planejada, ter a previsibilidade de chegada dos veículos na garagem, tempo necessário para a recarga de cada um e até otimizar rotas em tempo real”, explica Wilson Morais.

Além disso, a ABB planeja eletropostos de carregamento rápido em rodovias e garagens corporativas para dar mais autonomia aos veículos. “Em estradas brasileiras, por exemplo, ainda não há tanta estrutura para recargas. Nós estamos desenvolvendo uma tecnologia que permite reabastecer em entre 15 e 45 minutos carregando, que é o tempo de pausa normal em uma viagem”, afirma o gerente da empresa.



Fonte: Portal Lubes

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