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Combustíveis em alta: Etanol volta a subir e gasolina tem oitavo aumento consecutivo

Após duas semanas de queda, renovável tem aumento semanal de 1,25%; preço é equivalente a 77,3% do custo da gasolina


Após duas semanas de pequenas retrações nos preços do etanol nos postos, os custos voltaram ao ciclo de alta para os consumidores. No caso da gasolina, houve o oitavo aumento consecutivo. Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).


Entre 6 e 12 de junho, o etanol custou médios R$ 4,388 por litro, valor que representa um aumento de 1,25% no comparativo com a semana anterior, quando era vendido a R$ 4,334/L. Já a gasolina sofreu um crescimento menos relevante, de 0,35%. Se no período anterior ela estava custando R$ 5,656/L, entre 6 e 12 de junho o valor do litro subiu para R$ 5,676, em média.


Com o aumento mais significante para o etanol, o renovável perdeu ainda mais competitividade no comparativo com o seu concorrente fóssil. No período, o biocombustível custou o equivalente a 77,3% do valor da gasolina. Além da relação estar acima do limite comercialmente estabelecido, de 70%, ela ficou mais desfavorável do que na semana entre 30 de maio a 5 de junho, quando era de 76,6%.


É importante reiterar que estas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.


Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 276 municípios, dez a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.


Variações nos estados

Entre 6 e 12 de junho, os preços do etanol nos postos subiram na média de 18 estados, caindo nos sete restantes e no Distrito Federal. Os dados não foram apurados no Amapá. Por sua vez, a gasolina teve alta em 19 unidades da federação.

Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o etanol sofreu aumento de 1,67%, sendo negociado a R$ 4,191/L. Já a gasolina, teve um crescimento de 0,48%, passando para R$ 5,408/L. Com isso, a relação os preços foi de 77,5%, acima do que ocorreu uma semana antes, e mantendo o biocombustível desfavorável comercialmente no estado. A pesquisa foi feita em 100 cidades, duas a mais do que no intervalo anterior.


Já em Goiás, o etanol custou R$ 4,589/L na média do intervalo analisado, um aumento de 3,68% no comparativo com o período anterior. Por sua vez, a opção fóssil sofreu um aumento de 2,21% na semana, sendo negociada a R$ 6,059/L, e levando a relação de preços para 75,7%. Oito cidades foram consideradas no levantamento, três a mais no comparativo com o período anterior.


Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento no preço médio do etanol de 0,68%, indo para R$ 4,425/L. A gasolina teve um crescimento um pouco menor, de 0,41%, e foi vendida a R$ 5,882/L, em média. Assim, o renovável custou 75,2% do preço do fóssil no estado, na média. No total, 21 municípios mineiros participaram da pesquisa, mantendo o número da semana anterior.


Mato Grosso, por outro lado, foi um dos poucos estados que passou por redução do preço do etanol e o único dentre os seis maiores produtores. Além disso, detém o preço médio mais baixo para o renovável dentre todos os estados. Com a queda de 4,26%, o litro do etanol foi vendido nos postos, em média, a R$ 4,155. A mudança ocorreu após uma semana após o aumento de 6,29% para o etanol – a maior variação do período.


Além disso, ainda que a relação entre os preços esteja em 72,9%, acima do limite favorável ao biocombustível, este é o resultado mais baixo do país. A gasolina custou R$ 5,701/L em Mato Grosso, aumento semanal de 0,42%. A ANP fez a pesquisa em seis municípios do estado.


Mato Grosso do Sul teve um aumento de 0,44% no valor do etanol, que foi negociado a R$ 4,522/L, enquanto a gasolina sofreu uma pequena queda de 0,07%, ficando em R$ 5,730/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,9% do preço de seu concorrente fóssil. Tal qual na semana anterior, além da capital Campo Grande, apenas Dourados e Corumbá participaram do levantamento.


Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 80,6% – pouco acima do que se viu no período anterior. No estado, o etanol teve um aumento semanal de 0,97%, ficando em R$ 4,378/L; já a gasolina teve um crescimento de 0,8%. Foram 16 as cidades pesquisadas no estado, uma a menos que no período anterior.


Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.


Preços nas usinas e nas refinarias

Já considerando o preço do etanol hidratado nas usinas, ocorreu um aumento de 0,07% em São Paulo. Conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o valor médio passou de R$ 2,99/L para R$ 3/L entre as duas últimas semanas.


Por outro lado, em Mato Grosso e Goiás, o mesmo indicador foi de queda, de 0,36% e de 0,25%, respectivamente.


Por sua vez, segundo anúncio da Petrobras na última sexta-feira, 11, houve uma redução de 1,9% no preço da gasolina nas refinarias por conta da recuperação da cotação do petróleo.


Porém, isso não significa uma redução imediata ou certa nas bombas, uma vez que o repasse depende de fatores como impostos, mistura de etanol anidro e margem de distribuição, por exemplo, que influenciam no preço final.


Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.


Entre 6 e 12 de junho, 276 cidades foram pesquisadas, dez a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.


Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.


Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.



Gabrielle Rumor Koster

Fonte: NovaCana


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