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Combustíveis em alta: Etanol tem aumento em todos os estados, exceto Minas Gerais

Comercializado acima de R$ 4 por litro, renovável segue não sendo competitivo na média nacional


Na semana de 14 a 20 de março, o preço dos combustíveis dos postos apresentou novos aumentos na média de todo o país. A diferença em relação às análises anteriores é que a variação não foi tão significativa.


O etanol foi comercializado, em média, a R$ 4,184 por litro, um aumento de 1,53% no comparativo com a semana anterior, quando estava em R$ 4,121/L. Esta é a segunda semana consecutiva em que o preço médio do hidratado ficou acima dos R$ 4,00/L; o único estado a não atingir esta marca é São Paulo.


O valor do renovável nas usinas dos principais estados produtores, porém, vive outra tendência. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, entre 15 e 19 de março, o hidratado caiu 5,66% em São Paulo, indo de R$ 2,9059/L para R$ 2,7414/L, 1,40% em Mato Grosso e 11,98% em Goiás. As reduções ocorrem após semanas de aumentos expressivos.


Por sua vez, a gasolina foi vendida nos postos a R$ 5,592/L na média nacional, um aumento de 1,82% em relação aos R$ 5,492/L registrados na análise anterior. Em relação ao fóssil, a Petrobras se comprometeu a reduzir seu preço nas refinarias em 5% após acumular alta de mais de 50% em 2021.


O repasse deste reajuste para os consumidores, porém, não é garantido, pois depende de uma série de questões como a margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro.


Nos postos, com o maior aumento para a gasolina, o renovável teve um ligeiro favorecimento na semana de 14 a 20 de março, porém se mantém não competitivo em relação ao seu concorrente. O indicador, que precisa estar em 70% ou abaixo para compensar o abastecimento com o etanol, caiu 0,27% no comparativo semanal e ficou em 74,8%. Esta é a primeira queda registrada em cinco semanas.


Os combustíveis acumulam mais de dois meses de altas, porém a expectativa do setor é que pelo menos o etanol apresente reduções em breve, com o início oficial da safra de cana-de-açúcar, em abril.



É importante reiterar que todas essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis da ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.


Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 187 municípios, quatro a menos do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.


Variações nos estados

Na semana de 14 a 20 de março, os preços do etanol subiram na média dos postos de todos os estados do país, exceto em Minas Gerais. Já a gasolina só não apresentou aumento em Pernambuco e no Maranhão.



São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, registrou o menor valor médio do renovável da análise e o único abaixo dos R$ 4,00/L: R$ 3,981/L. No comparativo semanal, o aumento foi de 0,81%, um dos menores do país. Já a gasolina subiu mais, 2,09%.


Desta forma, a relação entre os preços dos combustíveis caiu para 74,9%, ainda acima do limite comercialmente estabelecido em 70% e desfavorável para o etanol. Na semana, a pesquisa foi feita em 53 cidades paulistas, uma a menos do que na anterior.


Minas Gerais, por outro lado, se destacou por apresentar queda de 0,05% no preço médio do renovável, a única da análise, que ficou em R$ 4,219/L. Com o aumento de 0,98% para a gasolina, a relação entre os preços dos combustíveis caiu, tornando-se a mais baixa do país, em 73,1%, mas ainda desfavorável para o etanol. O número de municípios mineiros participantes da pesquisa caiu para 15.


Já Mato Grosso apresentou a segunda relação menos desfavorável para o biocombustível do país, após um aumento no indicador, que chegou a 74,2%. O resultado é consequência do maior acréscimo para o etanol – de 7,41%, chegando a R$ 4,159/L – do que para a gasolina – 1,97%. A quantidade de cidades participantes do levantamento no estado subiu para quatro.


Mato Grosso do Sul, por sua vez, apresentou o aumento de 1,51% para o renovável, que chegou a R$ 4,311/L. Como a gasolina subiu um pouco mais, 1,65%, a relação entre os preços caiu ligeiramente, ficando em 75,4%, ainda acima da linha estabelecida. A pesquisa segue sendo realizada em apenas três cidades sul-mato-grossenses: a capital Campo Grande, Dourados e Ponta Porã.


Em Goiás, o etanol subiu 3,54% e ficou em R$ 4,418/L. Como a gasolina subiu menos, 1,21%, a relação entre os valores dos combustíveis subiu para 75,3%, desfavorável para o biocombustível. O número de municípios pesquisados no estado se manteve em cinco pela terceira semana consecutiva.


Já o Paraná, dentre os principais produtores do etanol no país, segue apresentando a pior relação entre o preço do biocombustível e o da gasolina a gasolina, mesmo que menor do que na semana anterior, com 78,5%. A queda no indicador se deve ao aumento de 0,45% para o renovável, que ficou em R$ 4,208/L, enquanto a gasolina subiu mais, 1,44%. No estado, o número de cidades pesquisadas chegou a 12.


Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.


Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.


Entre 14 e 20 de março, 187 cidades foram pesquisadas, quatro a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais. Além disso, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal, mudando o número de participantes em alguns estados.


Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.


Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.



Rafaella Coury

Fonte: NovaCana.com

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