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Combustíveis em alta: Etanol só é competitivo em Mato Grosso e Minas Gerais

Maior aumento de preço para o etanol o desfavorece perante a gasolina; pesquisa foi realizada em 216 municípios


A semana final de abril foi mais um período de aumento nos preços dos combustíveis nos postos do país. Com um maior acréscimo para o etanol, a competitividade do biocombustível foi novamente prejudicada.


Entre os dias 25 de abril e 1º de maio, o valor médio do renovável teve um aumento de 2,46% – o segundo consecutivo, porém maior do que o da semana anterior. Ele passou de R$ 3,814 por litro para R$ 3,908/L, em média.


Nas usinas, o movimento foi um pouco diferente. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o hidratado caiu 0,59% em São Paulo – de R$ 2,6747/L para R$ 2,6589/L, em média, depois de quatro semanas de aumentos – e 2,28% em Goiás, e subiu 0,57% em Mato Grosso na semana de 26 a 30 de abril.


Já a gasolina também apresentou aumento nos postos, mas mais discreto, assim como o observado nas semanas anteriores: 0,44%, passando de R$ 5,441/L para R$ 5,465/L.

Com estas variações, a relação entre o preço dos combustíveis foi para 71,5%, a maior das últimas cinco semanas, e abaixo da linha comercialmente estabelecida como favorável para o etanol, de 70%.

É importante reiterar que todas essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis da ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.


Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 216 municípios, 14 a mais do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.


Variações nos estados

Na semana de 25 de abril a 1º de maio, os preços do etanol nos postos subiram na média de 14 estados do país e no Distrito Federal, e caíram em 12. Já a gasolina apresentou aumento na média de 15 estados.


São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, voltou a registrar o menor valor médio do renovável no país – R$ 3,694/L –, mesmo após o aumento de 2,98% no comparativo semanal. Já a gasolina subiu 1,15%.


Com estas variações, a relação entre os preços subiu para 70,2%, acima do limite comercialmente estabelecido em 70%, desfavorecendo o etanol. A pesquisa foi feita em 69 cidades paulistas, oito a mais do que na semana anterior.


Já Minas Gerais apresentou uma relação mais competitiva para o renovável, de 69,4%. O resultado ficou maior do que o da análise anterior devido ao aumento de 2,13% no valor do hidratado, enquanto a gasolina subiu menos, 0,45%. Nos 21 municípios mineiros pesquisados, um a mais no comparativo semanal, o biocombustível foi comercializado a R$ 4,025/L, em média.


O estado com a menor relação entre os preços dos combustíveis, ou seja, com o etanol mais competitivo, segue sendo Mato Grosso, com 69,1%. O aumento semanal do indicador é consequência do acréscimo de 6,9% – o maior da análise – no preço médio do renovável, enquanto a gasolina subiu menos, 1,09%.


O biocombustível mato-grossense, então, passou a ter o segundo menor valor da pesquisa, ficando em R$ 3,764/L. A quantidade de cidades participantes do levantamento no estado subiu para seis.


Goiás, por sua vez, registrou o aumento de 0,1% no preço médio do etanol e a queda de 0,64% no da gasolina. O valor do renovável, que ficou em R$ 4,044/L, passou a corresponder a 70,6% do de seu concorrente fóssil, uma relação desfavorável para o primeiro. Foram pesquisadas seis cidades goianas, duas a mais do que na semana anterior.


Mato Grosso do Sul registrou o acréscimo de 0,69% no preço do etanol, que chegou a R$ 4,098/L. Como a gasolina subiu menos, 0,04%, a relação entre os preços foi para 73,4%, acima do limite estabelecido em 70% e maior do que a da semana anterior. No estado, a pesquisa novamente foi realizada na capital Campo Grande e em Dourados.


Já o Paraná apresentou o aumento de 4,7%, o segundo maior da análise, no preço do renovável, que ficou em R$ 3,968/L. Como a gasolina subiu menos, 1,65%, a relação entre os valores foi para 74,7%, acima do limite comercialmente estabelecido como favorável e pior no comparativo semanal. No estado, o número de cidades pesquisadas se manteve em 15.


Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.


Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.


Entre 25 de abril e 1º de maio, 216 cidades foram pesquisadas, 14 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades, porém, deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.


Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.


Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.



Rafaella Coury

Fonte: NovaCana



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