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CBio vira moeda em modelo de barter adotado pela Basf


A redução da pegada de carbono da economia tem dado outros rumos a modelos de negócios no agro. O barter, tradicionalmente conhecido pela troca de insumos por produtos agrícolas, agora é realizado também com títulos de descarbonização. É uma forma de compensação para empresas que querem reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, como a Basf, que tem feito operações de barter com CBios, os certificados lastreados na eficiência energética das usinas.


A multinacional alemã vai comprar aproximadamente 176 mil títulos da gaúcha Olfar, produtora de biodiesel, que tem o direito de comercializar os ativos na B3, mas preferiu transferi-los direto à companhia alemã. Em troca, a Basf fornecerá insumos para a empresa, um deles, o metilato de sódio, catalizador que ajuda a transformar óleos em biocombustível.

É a primeira vez que esta matéria-prima faz parte de uma operação de troca. A Olfar já repassou 26 mil títulos e deve repassar mais 150 mil até o fim do ano. Em nota, o presidente da empresa, José Carlos Weschenfelder, afirmou que o objetivo era viabilizar a transação de uma forma que não prejudicasse o mercado de CBio.


As três usinas de biodiesel da empresa são certificadas no RenovaBio, o que viabiliza a emissão dos títulos. “A Olfar já atua há algum tempo em negociações com créditos de carbono e realizou uma análise muito criteriosa no sentido de definir a estratégia mais adequada para a dinâmica de comercialização”, disse.


A Basf produz o metilato de sódio no Complexo Químico de Guaratinguetá, interior de São Paulo, desde 2011, já de olho no mercado do biodiesel.

“Tendo em vista a política de expansão gradual da proporção do biodiesel no diesel, que está em 12% e deve chegar a 15% em 2026, ampliamos, em 2019, ampliou a capacidade nominal em 30%, passando para 80 mil toneladas métricas”, contou o diretor de negócios de monômeros para a América do Sul da Basf, Alejandro Bossio, à Globo Rural.

A operação com a empresa gaúcha é o quinto barter com CBios feito pela multinacional alemã. O primeiro foi com a também gaúcha 3tentos, em 2021. Os representantes não revelaram os clientes das outras três negociações.


“O que nós fizemos foi incorporar o CBio como possibilidade de moeda para fazer trocas com nossos clientes no modelo de barter, que é tradicional do agronegócio. Estamos estimulando este mercado, que tem como base um ativo atrelado a produção de biocombustíveis”, explicou o gerente de operações estruturadas e commodities João Bento dos Reis Junior, da divisão de soluções para agricultura da Basf no Brasil.


O modelo foi desenvolvido pela companhia a partir da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e como uma forma de cumprir a meta global de reduzir as emissões em 25% até 2030 e atingir carbono zero até 2050. Para isso, a empresa vai investir cerca de 4 bilhões de euros nos próximos sete anos.


“Estamos fazendo uma operação em linha com o programa RenovaBio, com premissas sustentáveis. E isso é muito positivo, principalmente, sob o olhar da redução da pegada de carbono na indústria e da conveniência do cliente, que está no centro da nossa estratégia”, explicou. Um CBio equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixou de ser emitida.


Alejandro Bossio acrescentou que barter com CBio é uma forma de agregar valor ao título e viabilizar a produção de biocombustíveis. “Este é um mercado muito importante, porque permite reinvestir o crédito referente ao combustível limpo, em um novo ciclo de produção, o que traz ainda mais valor para essa cadeia”, afirmou.


Fonte: https://www.novacana.com/

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