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Biometano anima Adecoagro e vira nova linha de negócios da empresa


A Adecoagro tomou gosto pelo biometano. Depois de começar a gerar o gás renovável a partir dos resíduos de sua operação de cana no Brasil, a companhia está expandindo sua produção no país, ampliando a geração de biogás dos dejetos de suas vacas na Argentina e até decidiu criar uma nova linha de negócios de venda de soluções tecnológicas de produção de biometano para qualquer cliente interessado - seja do campo, seja da cidade.


Esta última tacada abre um novo flanco de operações para a companhia, que já atua no setor sucroenergético no Brasil com duas usinas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais, no cultivo de grãos na Argentina e no Uruguai e na produção de leite e arroz na Argentina. O novo negócio é fruto da compra, no ano passado, da Methanum, empresa que foi criada em 2010 para desenvolver o primeiro biodigestor da empresa.


O novo negócio de biometano já nasce com uma patente da tecnologia desenvolvida para a produção e purificação do renovável na usina de Ivinhema (MS). O foco principal do negócio deve ser a clientela do setor sucroenergético, que tem o maior potencial de produção de biometano do país. Mas a nova empresa também oferecerá tecnologia para gerar biometano de rejeitos animais e de aterros sanitários.


A estratégia da Adecoagro é apoiar-se e surfar no crescimento esperado para a produção do biometano no país, que hoje não chega a 3% de seu potencial. Na visão da companhia, não apenas há potencial como existe um cenário favorável para investimentos no gás renovável.


"Achamos que a demanda vai crescer bastante com a transição energética. Tem poucas tecnologias consolidadas hoje que funcionam com vinhaça e torta de filtro [resíduo do tratamento do caldo de cana]. Achamos que existe espaço e condições para colocar a empresa no mercado", afirma Renato Junqueira Santos Pereira, vicepresidente de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro.


"Um diferencial é que a empresa tem conhecimento de diferentes tecnologias e para [diferentes] substratos. É difícil achar uma empresa hoje que tenha tecnologia para os três segmentos", acrescenta Luis Felipe Colturato, diretor da companhia.


Também há uma longa estrada a ser trilhada na produção de biometano dentro de casa. Com a estabilização do biodigestor em Ivinhema, alcançada neste ano, a Adecoagro decidiu já partir para uma duplicação do projeto, com investimento de R$ 15 milhões.


Atualmente, o biodigestor em operação, que trabalha com a vinhaça que sai da produção de etanol, gera 6,6 mil metros cúbicos de biometano por dia (250m3/h x 24 x 1,1), e passará a produzir o dobro no fim do segundo semestre, quando a expansão estiver concluída. O volume do gás será capaz de substituir o consumo anual de 4,3 milhões de litros diesel em sua frota própria de veículos.


Mesmo com o investimento em curso, ainda há muito potencial estagnado no campo. Com a conclusão do segundo biodigestor, apenas 5% de toda a vinhaça produzida no polo de usinas de Mato Grosso do Sul será aproveitada. Se todo o volume do rejeito do polo fosse aproveitado, a Adecoagro abasteceria 32 biodigestores, o que garantiria a produção de 64 milhões de metros cúbicos por ano. Isso permitiria à companhia substituir todo o diesel de sua frota, de 50 milhões de litros, e ainda sobraria gás para vender ao mercado.


Porém, substituir todo o diesel por biometano não depende apenas da disponibilidade de combustível. Ainda existem muitos veículos e máquinas que não conseguem rodar a biometano com a mesma potência do que com diesel. Por enquanto, a Adecoagro está movendo 14 de seus veículos a 40% de biometano. Inicialmente, a aplicação será em veículos leves e caminhões canavieiros. Os resultados ainda serão avaliados. "Até agora, estamos satisfeitos com os resultados", afirma Junqueira.


Na Argentina, a Adecoagro está investindo na ampliação da biodigestão das 72 mil toneladas de dejetos que suas 15 mil vacas leiteiras geram todos os anos. A Adecoagro já possui uma potência instalada de 1.4MW a partir do biogás de dejetos. Com a expansão que está em andamento, a partir de tecnologia própria, elevará a capacidade para 3,4 MW.


Fonte:https://www.udop.com.br/

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