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Barril de petróleo pode chegar a US$ 80 no 2º semestre, diz IHS Markit


O preço do barril de petróleo pode ultrapassar a barreira dos US$ 80 no segundo semestre, caso a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não reveja a estratégia de cortes na produção, num momento em que a demanda tende a acelerar com o avanço da vacinação contra a pandemia de covid-19 no mundo. A avaliação é do vice-presidente sênior da empresa de análise de dados e consultoria IHS Markit, Carlos Pascual, durante evento on-line promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).


“O que acontecer na produção vai ser o que mais afetará os preços do petróleo. No terceiro e no quarto trimestres, a história do que vai acontecer em termos de preços vai ser ditada pelas reações da Arábia Saudita, principalmente”, apontou Pascual.


A Opep e um grupo de países aliados conhecidos como Opep+ tem promovido cortes na produção de petróleo nos últimos meses. Segundo Pascual, o relaxamento das restrições à produção pode levar a uma alta volatilidade no preço do barril nos próximos meses.

Pascual lembrou que a oferta de petróleo tende a ser, de agora em diante, o principal fator a contribuir para os preços do barril, em meio à transição para economia de baixa emissão de carbono.


“Isso mostra que os países que conseguirem produzir a baixos custos vão se proteger melhor da volatilidade. Além disso, os países que tiverem menor teor de carbono na sua produção também terão vantagem”, disse.


Pascual lembrou que os esforços de descarbonização da economia foram ampliados na última semana, com o anúncio de novas metas por vários países durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima. Ele afirmou que as nações que produzem quase 70% do produto interno bruto (PIB) global têm metas para zerar emissões até 2060.


Também presente à discussão, o ex-ministro de Minas e Energia e deputado federal, Fernando Coelho Filho (DEM), lembrou que as novas metas podem ajudar a atrair investimentos para o setor de energias renováveis para o Brasil, mas representam um desafio para a atratividade da indústria de óleo e gás.


“Todos querem estar no Brasil, mas enquanto fizer sentido econômico. Estamos vendo empresas e países com metas muito claras para zerar suas pegadas de carbono, mas no Brasil estamos discutindo quais vão ser os modelos de leilão [de áreas de óleo e gás]. Essa riqueza tem que ser usada a favor do país, agora. Não sei por quanto tempo vamos continuar sendo atrativos para essa indústria que conhecemos hoje e que está mudando numa velocidade muito rápida”, concluiu o deputado.


Segundo o vice-presidente sênior da IHS Markit, as petroleiras que atuam no Brasil vão precisar ganhar competitividade em meio à transição para uma economia de baixo carbono. “Para a Petrobras e qualquer outra companhia que queira aproveitar o mercado de óleo e gás brasileiro a mensagem é muito clara: o que você quiser fazer para ganhar eficiência precisa ser feito agora”, afirmou Pascual.


Segundo o diretor do programa de energia para a América Latina do Baker Institute, Francisco Monaldi, o Brasil deve passar uma mudança no perfil de companhia que vai atrair para o setor de óleo e gás nos próximos anos. “Empresas menores podem ir ao Brasil em busca de campos menores. No longo prazo, não vamos ver tantas companhias europeias em busca de projetos novos de produção de petróleo. Vai ocorrer uma mudança no tipo de player e de investimento que vai ocorrer no país”, comentou.


Nesse contexto, Pascual lembrou que o Brasil também oferece uma grande oportunidade para investimentos em energias renováveis e para o mercado de compensação de emissões de carbono.


“O Brasil pode ser um dos países vencedores [na transição energética], com sua alta taxa de fontes renováveis na matriz elétrica e sua capacidade de investir em gás, baterias e biocombustíveis, o que mostra um enorme potencial para redução de emissões. Além disso, um ativo que o Brasil tem e nenhum outro país possui é a Amazônia”, disse Pascual.


Segundo o analista, o país tem uma “ótima oportunidade” para se engajar nas discussões sobre o mercado de compensação de carbono. “A Amazônia pode se transformar em uma geradora de capital e trazer bilhões de dólares para o país”, afirmou.



Gabriela Ruddy

Fonte: Valor Econômico

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