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Aumento de demanda eleva preços do frete



Uma das exigências dos caminhoneiros para encerrar a paralisação feita em junho de 2018, a tabela de preços de frete se mantém em um limbo jurídico sem ter sido ainda julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Há pelo menos três ações diretas de inconstitucionalidade contestando a medida. O tabelamento, na média, não teve grande impacto em um setor que registra aumento da demanda desde 2020. "Há leis que pegam e que não pegam no Brasil, e neste caso não pegou", afirma Mauricio Lima, sócio-diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Por conta dessa indefinição, continuam suspensas as aplicações de quaisquer multas ou sanções relacionadas à tabela, incluindo as decorrentes do não cumprimento dos valores tabelados por parte do contratante de frete. Os caminhoneiros protestam. No início do ano, a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac) solicitou ao presidente do SFT, Luiz Fux, que colocasse em votação a legalidade do piso mínimo do frete rodoviário. Ao lado da questão jurídica, o contexto tem também permitido que a tabela de frete não seja seguida em boa parte dos casos. Apesar da recessão econômica no ano passado, em razão dos efeitos da pandemia, a demanda rodoviária registrou alta de 0,3% sobre 2019. De janeiro a abril deste ano, em relação a igual período de 2020, apura-se elevação de 7%, sendo que em 2021 poderá ser batido o recorde histórico de movimentação, atingido em 2014. " Esse cenário permite que a alta do diesel, de 20% até junho, possa ser em parte repassada", afirma Lima. Um exemplo está na rota entre São Paulo e Recife. A demanda de transporte de cargas é maior na ida e, para não voltar vazio, o motorista aceita deixar de lado os valores de referência da tabela. "O caminhoneiro vai cobrar menos, e cobrir seus custos, ou ficar preso na tabela? Ela se torna inócua em muitos casos", afirma Lima. A Fretebras, maior plataforma on-line de transporte de cargas da América do Sul, apontou em seu relatório do primeiro trimestre de 2021 mais de 1,6 milhão de fretes publicados, volume 53% maior do que em mesmo período de 2020. A região Nordeste apresentou o maior crescimento no volume de fretes (+95%), comparando com mesmo trimestre de 2020. Dos 25 Estados em que foram analisados os preços do frete, 17 apresentaram aumento. Rondônia e Maranhão tiveram as maiores taxas de crescimento, 21,24% e 29%, respectivamente no preço do frete por quilômetro e por eixo. Apesar das variações, os custos gerais do frete aumentaram muito, ficando além do preço praticado no transporte, diz Bruno Hacad, diretor de operações da FreteBras.



Texto extraído do boletim SCA

Fonte: Valor Econômico

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