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Apesar de quebra de safra, usinas garantem oferta de etanol anidro, diz Unica


SÃO PAULO - O Brasil terá oferta suficiente de etanol anidro para atender a mistura na gasolina de 27%, apesar de uma forte quebra na safra 2021/22 devido a problemas como seca e geadas, afirmou nesta segunda-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).


A declaração foi feita dias depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o preço da gasolina poderia diminuir um pouco se houvesse uma redução na mistura de etanol, cujos preços estão nos maiores valores em vários anos.


"A produção registrada até o momento, os estoques disponíveis nos produtores, a possibilidade de importação, o volume a ser produzido e a expectativa de consumo do ciclo Otto indicam condições para atendimento do atual nível de mistura de etanol na gasolina...", disse em nota o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues.


Com uma redução no consumo de etanol hidratado, por uma gasolina mais competitiva, a Unica avalia também que a oferta de anidro poderá ser reforçada, enquanto produtores se voltam para o biocombustível usado na mistura.


A produção de etanol anidro do centro-sul cresceu 17,8% na primeira quinzena de setembro ante o mesmo período de 2020, para 883 milhões de litros, e aumentou 26,4% no acumulado da safra 2021/22, para 8 bilhões de litros.


De outro lado, a produção de açúcar recuou 8% no acumulado da safra desde 1º de abril, para 26,8 milhões de toneladas, enquanto a fabricação total de etanol (incluindo hidratado) recuou cerca de 3%, para 20,75 bilhões de litros.


Segundo Padua, tamanho volume de etanol anidro fabricado na primeira quinzena de setembro deste ano só foi verificado na safra 2017/2018, "quando a moagem de cana-de-açúcar era muito superior".


"A despeito da expectativa de queda superior a 14% na moagem de cana-de-açúcar e da retração nas produções de etanol hidratado e açúcar, a produção de etanol anidro deve crescer mais de 500 milhões de litros neste ciclo", comentou ele.


A Unica afirmou anteriormente que a safra de cana do centro-sul poderia cair para cerca de 530 milhões de toneladas, com "viés de baixa".


Com a temporada acabando mais cedo por conta da menor oferta de matéria-prima, mais três usinas encerraram a safra na primeira metade do mês, elevando para cinco o total das que já terminaram o ciclo 2021/22.


Na primeira quinzena, a produção de açúcar do centro-sul do Brasil recuou 20,48% ante o mesmo período do ano passado, para cerca de 2,5 milhões de toneladas, apontou nesta segunda-feira a Unica.


A moagem de cana da principal região produtora do Brasil caiu 14% na quinzena na mesma comparação, a 38,38 milhões de toneladas, enquanto a produção total de etanol (hidratado e anidro) teve baixa de 11,23%, para 2,06 bilhões de litros.


Além de problemas como seca e geadas, o setor tem destinado menos cana para a produção de açúcar do que no mesmo período do ano passado --na proporção de 44,94% na primeira quinzena do mês, ante 47,34% no mesmo período da safra passada.


Vendas

Na primeira metade de setembro, as unidades produtoras do centro-sul comercializaram um total de 1,17 bilhão de litros de etanol, registrando retração de 14,9% em relação ao mesmo período da safra 2020/2021.


Do total comercializado em setembro, 30,87 milhões de litros foram destinados para o mercado externo e 1,14 bilhões de litros vendidos domesticamente.


No mercado interno, as vendas de etanol hidratado alcançaram 654,9 milhões de litros, o que representa uma redução de 22,6% sobre o mesmo período da última safra.

Já a quantidade comercializada de etanol anidro apresentou aumento de 29,9% na primeira quinzena, com 483,08 milhões de litros.


Segundo Padua, a perda de competitividade do etanol hidratado frente à gasolina em algumas regiões tem causado a retração do consumo do biocombustível.


"É o movimento de ajuste natural de mercado diante das condições de oferta e demanda dos produtos."


Ele disse ainda que, "a manutenção dessa tendência de retração nas vendas de hidratado indica uma condição de equilíbrio entre oferta e demanda do produto até o final da safra".


No acumulado desde o início da safra 2021/2022 até 16 de setembro, o volume de etanol comercializado pelas empresas do centro-sul acumula crescimento de 1,5%, somando 13,43 bilhões de litros.


Do total comercializado domesticamente, o etanol anidro representa 4,68 bilhões de litros (aumento de 26,7%) e o etanol hidratado corresponde a 7,98 bilhões de litros (queda de 3,6%), no acumulado da safra. Um volume de 765,5 milhões de litros foi exportado, com queda de 39,1% na temporada.



Por Roberto Samora

Fonte: Reuters

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