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Agro sustentável vai inserir o Brasil em outro nível no comércio


A atividade agrícola passa por uma série de transformações, com exigências cada vez maiores de sustentabilidade na produção. O chamado ESG (quesitos relacionados a meio ambiente, desenvolvimento social e governança) veio para ficar. O que pode parecer exigências demais, no entanto, são oportunidades para o país. É o que foi discutido nesta segunda-feira (2) no 20º Congresso Brasileiro do Agronegócio da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). O Brasil vai mudar por causa do agronegócio, e esse setor vai elevar o patamar de inserção do país no mundo. E esse não é um otimismo ingênuo, mas apenas o reconhecimento de que o país é um grande ator no cenário mundial. A avaliação é do embaixador Marcos Azambuja, feita no congresso online, que teve como tema "Nosso Carbono é Verde". O mercado antes exigia quantidade de alimentos para que fosse garantida uma segurança alimentar no mundo. Mas novos componentes estão sendo incorporados nessa exigência, segundo Elizabeth de Farina, diretora-executiva da WRI Brasil. Entre eles, qualidade e sustentabilidade. Esse novo mercado que está sendo desenvolvido é muito importante, e o país precisa de um projeto estratégico para a participação nele. O desrespeito a essas exigências vira barreiras comerciais, que viram novas tarifas aos produtos no comércio mundial, afirma Farina. Ao mesmo tempo que o país assume um dos postos mais avançados na produção mundial de alimentos, porém, passa por um período de imagem bastante negativa, segundo Marcello Brito, presidente do conselho diretor da Abag. São necessárias ações emergenciais rápidas, uma vez que se está chegando a um ponto em que o país não poderá resolver mais as crises sozinho. O país não pode perder o protagonismo e, para isso, necessita de união. A indústria que bate no campo desconhece a realidade da produção, mas o produtor que bate na indústria desconhece a realidade de mercado, afirma ele. O resgate tem de começar aqui dentro. Assim como se condenam as invasões de terras privadas, deve-se condenar também a grilagem de terra pública. Brito diz que há um silêncio ensurdecedor sobre algumas questões e se esquece que a Amazônia pode ser uma aliada muito boa para o mercado brasileiro. Mas, apesar dos problemas, já há alguns pontos positivos, como o aperfeiçoamento de ferramentas de proteção, afirma. Para Carlos Augusto Melo, presidente da Cooxupé, as questões relacionadas à ESG são oportunidades para o Brasil. O país já segue padrões rigorosos, embora haja alguns deslizes. Os responsáveis por estes, no entanto, devem ser penalizados. Melo acredita que as cooperativas tenham um papel fundamental nessas transformações, devido às suas ações na gestão, educação e transferência de conhecimento para os cooperados. Para Solange Ribeiro, presidente-adjunta da Neoenergia, as soluções de energias renováveis baseadas na natureza dão grandes oportunidades ao Brasil, e colocam o país na dianteira mundial. Os investimentos hoje, porém, estão bem mais exigentes. E a busca pela produção com balanço zero de carbono melhora o desempenho dos produtos e a imagem dos brasileiros. Para a representante da Neoenergia, as empresas têm de colocar em suas demonstrações financeiras a necessidade das mudanças climáticas e assumir que isso é importante na política interna. Gilberto Tomazoni, presidente-executivo global da JBS, diz que as mudanças globais estão afetando coisas vitais. Por isso, é necessária ação. A empresa está investindo US$ 1 bilhão para a passagem do patamar atual para o balanço zero de emissões de gases de efeito estufa até 2040. Investe, ainda, US$ 100 milhões em pesquisas e desenvolvimento para a busca de novas práticas necessárias para essas transformações. "Sustentabilidade não é mais parte da estratégia da JBS, mas é a estratégia. Olhamos os investimentos com base nela", afirma o executivo. Todo o poder está nas mãos do consumidor, que utiliza o que está sendo produzido. Daí a mudança do portfólio para produtos de baixo carbono, afirma Tomazoni. Para Carolina da Costa, sócia da Mauá Capital, essa transformação não basta apenas com crédito rural, mas é necessária a adoção de práticas sustentáveis. O crédito necessariamente não conversa com a sustentabilidade, diz. Sergio Vale, economistachefe da MB Associados, afirma que, quando se trata de ESG, o problema do Brasil é grande na governança e nas questões sociais. O país precisa melhorar muito ainda essas questões, mas há uma vulnerabilidade macroeconômica que traz dificuldades.


Fonte: Folha de S. Paulo

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