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A suspensão do Leilão de Biodiesel e a falta de atenção do MME


Ontem (06), depois de transcorridos menos de 30 minutos da primeira etapa de compras do L79, toda a cadeia do biodiesel foi surpreendida com a informação de que o certame estava suspenso. Passadas 24 horas desde o fato, oficialmente se sabe muito pouco mais do que se sabia nos minutos seguintes a suspenção. Esse pouco a mais é que a decisão de suspender veio do Ministério de Minas e Energia (MME).


Extraoficialmente, se sabe que o MME pediu a suspenção do leilão por causa do preço do biodiesel. E compreendendo isso é que as coisas começam a ficar incompreensíveis.


A dificuldade em entender não vem exatamente do fato do governo estar cogitando diminuir a mistura por causa do preço alto do biodiesel. Isso é bem fácil de entender. Está na lei que a questão econômica é um dos pontos a ser considerado para definir o percentual. Se o governo entender que o biodiesel entre R$ 6 e R$ 7 por litro tem um impacto econômico negativo maior que os impactos positivos na cadeia da soja, na saúde da população e no meio ambiente, ele tem a prerrogativa de reduzir a mistura.


O problema é conseguir entender o porquê do governo ter esperado a abertura da etapa de compras do leilão para tomar uma decisão. Pior, não se trata nem de tomar uma decisão, mas de parar para pensar no assunto como se tivesse todo o tempo do mundo. Se uma decisão já tivesse sido tomada, todo mundo teria sido comunicado.


O governo esperou a etapa de compras do leilão começar para olhar para o setor e ver o que estava acontecendo. E nada disso era completamente imprevisível.


O setor como um todo já imaginava que a etapa das menores usinas habilitadas teria preços maiores do que o da etapa com todas as usinas. Todas sabiam que o preço do biodiesel no L79 seria bem mais alto que foi no L78. Tanto é assim que a ANP aumentou o preço máximo de referência para quase R$ 7,50 por litro. Quando as usinas, na segunda-feira (05), colocaram suas ofertas, todo mundo viu que o preço do biodiesel na etapa das pequenas ia ficar perto de R$ 7 reais por litro.


O governo poderia ter tomado uma decisão sobre o que fazer com mistura de antecipadamente. Se tivesse alguma dúvida, poderia ter conversado com o setor e questionado qual seria o preço mínimo do biodiesel nas condições de preço de óleo. É para isso que serve o Comitê de Monitoramento do Abastecimento do Biodiesel (CMAB). Se a resposta não agradasse, poderia já ter começado a pensar no que fazer e anunciado a decisão antes do leilão começar.


Se, ainda assim, achasse que não tinha elementos suficientes para tomar uma decisão. Depois da Etapa 2 as cartas já estavam na mesa. Não havia mais do que duvidar.

É realmente espantoso como o governo vem lidando com o setor de biodiesel. A forma reativa como as medidas são tomadas prejudica muito a confiança e a credibilidade que se esperaria em momentos como esse.


Se tivesse decidido por reduzir a mistura na semana passada, as usinas teriam reclamado muito. Se decidir reduzir a mistura agora, as usinas vão reclamar o mesmo tanto. A diferença é que, fazendo isso agora, o prejuízo para o setor será ainda maior e mostrará que o governo não está olhando para o setor com a atenção que deveria.



Miguel Angelo Vedana

Fonte: BiodieselBR.com

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