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PREÇO DO ETANOL NAS BOMBAS É O MAIOR EM SEIS ANOS


Apesar do preço maior, como o preço da gasolina também disparou, os estoques não estão acompanhando o aumento do consumo.

O preço do etanol nos postos está no maior nível dos últimos seis anos. E a explicação está na lei: a lei da oferta e da procura.

Em uma das regiões que mais produzem etanol no Brasil, o preço do combustível disparou. O litro na bomba, em alguns postos, chega a R$ 3,09. É o maior valor médio para dezembro desde 2013, quando a Agência Nacional de Petróleo passou a fazer as medições.

“Problema grande, principalmente pro motorista de aplicativo, taxista, pessoas que vivem do automóvel, do carro, né? Tá complicado", fala o comerciante Marcos Malaspina.

Difícil para o motorista entender porque paga tão caro por um produto que está logo ali, tão perto. "É um absurdo, por que a região é rica em usinas, né? Tem várias usinas na região", destaca a auxiliar de supermercado Márcia Alencar da Silva.

No começo de dezembro, pela primeira vez, o litro do etanol chegou aos R$ 2 nas usinas, 20% a mais do que no mesmo período do ano passado, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP.

Começa agora o período de entressafra no interior paulista. Como a cana já foi colhida, as usinas param de funcionar. Todo álcool produzido está guardado em tanques e, este ano, o estoque é maior no Brasil do que no ano passado. São 6,8 bilhões de litros contra 6,37 bilhões de litros no mesmo período de 2018.

Mas se os estoques estão maiores por que o preço subiu tanto? Uma das explicações está no consumo. A gasolina sofreu seguidos reajustes nos últimos anos, o preço do etanol também aumentou, mas ficou dentro da margem considerada vantajosa pro motorista abastecer com álcool.

“Há dois, três anos atrás, os postos vendiam cerca de 60%, 65% de etanol no seu volume total. Hoje, a realidade já mostra que os postos revendedores revendem 75% do seu volume total apenas de etanol”, revela Fernando Roca, representante do Núcleo de Postos de Ribeirão Preto.

Segundo a ANP, no ano passado, foram vendidos 19 bilhões de litros, 1,58 bilhão por mês. Este ano, a média é mais alta: 1,8 bilhão.

“Hoje, o estoque nosso está 4% maior em relação ao ano passado. Só que o consumo está 20% maior. Então, isso que deu essa desestabilizada na oferta e demanda e fez o preço do etanol subir”, explica Antonio Eduardo Tonielo Filho, diretor do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis.

Como a gasolina também está lá em cima, o motorista já pensa em deixar o carro na garagem. "Não tem condição. Tem que voltar a andar de ônibus", lamenta a professora Marcela Roncari.

"Só para levar a mãe no médico, supermercado, coisas assim", diz Patrícia Alves, técnica em enfermagem.

Fonte: G1


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